Decorria o ano de 2011, quando
“4” é lançado envolto em polémica. Depois de 3 discos lançados, todos eles com
mais de 7 milhões de cópias vendidas a nível mundial e com muitos sucessos pelo
meio, “4” enfrentava um problema, alegadamente a editora não acreditava no
sucesso do mesmo, pois não existiam grandes hits no álbum. Chegou a afirmar-se
que tudo não passava de um rumor, o que é facto é que efetivamente “4” não nos
ofereceu um grande hit, como os álbuns anteriores nem as suas vendas foram tão
animadoras.
O que esperar de um artista
quando o seu rendimento baixa num álbum? Um artista normal faria com que o
disco seguinte fosse mais comercial e massivamente promovido com grandes
singles de avanço e meses de promoção, mas isso era se estivéssemos a falar de
um artista normal, acontece que esta review é sobre Beyoncé Knowles, a artista
mais falada, elogiada, arrojada e “flawless” do momento.
“Radio say “Speed It Up”, I just go slow”
(Yoncé/Partition) – Palavras para quê? Uma artista que mesmo quando
criticada, desafia as editoras e as “leis” da indústria musical e lança um
álbum sem aviso prévio, com 14 faixas completamente inéditas (à exceção do
excerto já conhecido de “Bow Down”) e 17 vídeos para as mesmas, criando assim o
conceito de “álbum visual” e gerando números impressionantes em termos de
vendas, excelentes criticas e revelando-se uma das estratégias de marketing
mais vitoriosas de sempre.
Tentar definir a sonoridade dominante em “Beyoncé” é um erro, pois o segredo do sucesso deste disco é mesmo não ter uma fórmula, não ter uma definição, ser diferente de tudo o que já vimos e ouvimos não só vindo de Beyoncé, como também da música hoje em dia que passa nas rádios.
Preparados para conhecer faixa a
faixa de “Beyoncé” em detalhe? Não percamos mais tempo.
“Pretty Hurts” – Sia Furler, tem sido presença constante e assídua
na composição e até na interpretação das demos, para as cantoras POP hoje em
dia, exemplo disso são cantoras como Rihanna, Celine Dion, Christina Aguilera,
Britney Spears ou até o rapper Eminem. O que acontece muitas vezes é que as
cantoras acabam apenas por fazer uma regravação com as suas vozes do que já
fora feito por Sia, notando-se a influência da australiana em muitas partes da
canção (ex. “Loved Me Back To Life” e “Blank Page”). Aqui em “Pretty Hurts”, o
resultado foi bem diferente, pois não só Sia foge um pouco ao seu tema central
do amor (típico das suas canções) como também cria uma das suas melhores composições. Beyoncé, por sua vez, tem o
mérito de fazer com que “Hurts” soe totalmente sua, um clássico-Beyoncé, uma
das faixas mais brilhantes do álbum e futuro single certeiro. Uma faixa que
aborda uma temática “escondida” no showbiz, que é o sofrimento das pessoas que
vivem da imagem. Uma performance vocal magistral e um dos momentos altos do
disco. Não haveria melhor forma de começar. Destaque ainda para o vídeo, já que
falamos dum álbum visual, este é talvez o mais bem conseguido de todos os
videoclipes criados para as faixas.
“Ghost/Haunted” - “Toda a me*da que eu faço é aborrecida. Todas
estas editoras são aborrecidas. Eu não confio nestas editoras, estou em
digressão”. Mais um grito de revolta por parte da cantora de “Countdown”, desta
vez contra as editoras e a indústria discográfica que continua a ter medo de
arriscar. Destaque para as beats sombrias e viciantes desta produção fantástica
deste até então desconhecido produtor “Boots”, que certamente a partir de agora
será um nome assíduo e presente nesta indústria.
“Drunk In Love” (ft: Jay-Z) – Mais uma colaboração entre um dos
casais mais influentes e poderosos no mundo da música e que iniciaram a sua
relação “Crazy In Love” e mais de 10 anos depois, a mesma relação aparece
fortalecida em “Drunk In Love”. Beyoncé declarou amor por esta canção, por ter
sido criada para ser “pura diversão”, sem a preocupação de ser um hit e apenas
influenciada pelas batidas alegres e viciantes da mesma. Esta é talvez a única
canção do CD em que a cantora de “Listen” soa a outra colega de profissão, mais
concretamente a sua rival Rihanna, uma vez que “Drunk” poderia fazer facilmente
parte do reportório da cantora dos Barbados. Mas o que importa esta semelhança
quando esta é já a faixa mais popular do álbum e uma das mais bem conseguidas?
“Blow” – O que acontece quando se juntam Timbaland (SexyBack),
Pharrel Williams (Blurred Lines), Justin Timberlake (Rehab) e Beyoncé em
estúdio? Bem o resultado é o momento feminino “The 20/20 Experience” deste
disco, onde uma canção consegue falar de sexo oral da forma mais suave, doce e
inocente possível. Uma faixa com elementos de disco e retro-r&b, digna dos
nomes envolvidos na mesma. Um dos pontos fortes do álbum que não passa
despercebido.
“No Angel” – Talvez o momento mais arriscado deste disco, que
necessita de algumas audições para que a faixa seja entendida e muitas vezes
não o é. O falsetto de Beyoncé aqui é explorado ao máximo, bem como a sua vida
sexual. É talvez o momento menos impactante do disco e que soa um pouco fora de
contexto, fazendo deste um álbum imperfeito, mas ainda assim excitante, dando
vontade de ouvir o que vem a seguir, depois de tanta variedade e
experimentação.
“Yoncé/Partition” – Adeus Sasha Fierce, Olá Yoncé. Esta é a canção
que nunca esperamos que a cantora de “Smash Into You” gravasse. O momento mais
explícito e sexual deste álbum acontece em “Partition”, acompanhado pelo vídeo
igualmente provocador e que acompanha as letras explícitas desta canção. Um dos
momentos mais bem produzidos e interessantes de todo o disco e onde Beyoncé
quer ser apenas a rapariga que nós gostamos. A verdade é que consegue fazer
esse papel na perfeição.
“Jealous” – Para as mulheres que gostaram da mensagem de “If I Were
A Boy”, “Jealous” é como que uma sequela e a faixa perfeita para descrever as
inseguranças e o ciúme que podemos sentir quando estamos numa relação. Além dos
gritos de revolta contra a indústria, da vida sexual, Beyoncé apresenta-nos
também o seu lado mais inseguro e vulnerável nesta faixa que pode ser
considerada uma mistura estranha, mas criativa e variada de estilos musicais,
que acaba por resultar muito bem e fazer dela um potencial futuro single. Mais
uma contribuição extraordinária de “Boots”.
“Rocket” – “Let Me Put This Ass On You”, esta é a forma como começa
esta canção. A par de “Partition”, aqui encontramos mais um dos momentos em que
Beyoncé se libertou enquanto mulher e falou abertamente dos seus desejos, que
todos temos, mas que muitas vezes não nos sentimos à vontade e/ou com maturidade
para os abordar. Esta é a perfeita banda sonora para fazer bebés e perdermo-nos
de amor - “Rock It Till Water Falls”.
“Mine” (ft: Drake) – A colaboração com Drake, é uma das mais
acarinhadas pelos fãs e das mais futurísticas de todo o disco. Aqui Beyoncé
continua a explorar as suas dúvidas e as suas inseguranças, especialmente desde
que foi mãe. Drake transforma o medo em esperança nesta canção e também a
transforma numa das colaborações do ano.
“XO” – Depois de tantos gritos de revolta contra a indústria
discográfica, depois de explorada toda a vida sexual e inseguranças de Beyoncé,
sabe bem relaxar um pouco e deixarmo-nos embalar pela simples mas mágica “XO”.
O momento romântico deste álbum, onde tanto as letras como a interpretação são simples
mas estrategicamente construídas para ser o hino do disco, sendo o seu momento
mais comercial e talvez por isso a escolha óbvia para ser o primeiro single do
mesmo. Criada por Ryan Tedder (Bleeding Love), e descrita por ele como a sua
melhor produção de sempre e como sendo ainda superior ao grande sucesso “Halo”
(2009), seria de esperar que os números correspondessem às expectativas de
todos com esta canção, mas acontece que “Drunk In Love” tem abafado “XO” e a
mesma não se tem saído bem, por agora, nas tabelas de vendas. No entanto não há
dúvida do potencial da canção e da qualidade da mesma. Perfeita para qualquer
casal apaixonado.
“Flawless” – O momento de descontração do disco não dura muito,
pois já de seguida temos o maior grito de revolta do mesmo, “Flawless”. A boa
noticia aqui é que “Bow Down”, acabou por fazer parte do álbum, ao contrário de
faixas como “Grown Woman” ou “Standing On The Sun”. A má notícia (para as
rivais) é que mais uma vez a cantora de “Schoolin’ Life” não desilude e faz uma
das melhores faixas do album. A segunda parte “Flawless” faz mais sentido neste
contexto, do que a versão inicial “I Been On”, ainda que se sinta também a
falta da mesma em alguma parte do disco. Aqui temos uma Beyoncé segura de si,
agressiva mas mais eficaz que nunca. Palavras para quê? Flawless.
“Superpower” (ft: Frank Ocean) – Uma faixa serena e forte ao mesmo
tempo. Esta é uma canção que não tem o chamado “climax”, que não sai do mesmo
registo, ainda que tenha algo que nos prenda do início ao fim. Um faixa R&B
experimental que teria ficado bem no album de Frank Ocean que acaba por reforçar
o misticismo e mistério desta canção. É daquelas faixas que não cativa na
primeira audição, mas que depois de algumas reproduções acaba por nos envolver.
“Heaven” – A grande balada do disco, que aborda uma fase muito
conturbada da vida da cantora, aquando do aborto espontâneo que sofreu antes de
engravidar da sua filha Blue Ivy. Apenas a voz maravilhosa de Beyoncé e o
piano, fazem deste um momento mágico e verdadeiramente carregado de
sentimentos. Conseguimos escutar a tristeza e vulnerabilidade na voz da cantora
e o sentimento está presente do primeiro ao último segundo da canção. “Heaven
couldn’t wait for you” é das frases mais ecoadas e devastadoras da canção, que
só quem passa pela perda de alguém que lhe é querido pode entender. De destacar
uma vez mais “Boots”, o produtor mistério, que consegue aqui criar um momento
poético, triste mas mágico e sincero. Uma das melhores do disco.
“Blue” (ft: Blue Ivy) – Mais uma balada, mas desta vez no sentido
oposto de “Heaven”, enquanto uma canção é alimentada pela dor e pela tristeza
da perda de uma criança, “Blue” celebra o nascimento e o amor. É uma clara
celebração, um momento alegre e positivo de um disco que aborda muitos temas
menos positivos, mas que acaba da melhor forma possível – a celebrar o amor.
O ano de 2013 foi rico em
lançamentos, em regressos de cantoras como Katy Perry, Lady Gaga, Britney
Spears, Mariah Carey e em que tudo indicava que seria o ano de Miley Cyrus, que
com “Wrecking Ball” (curiosamente inicialmente concebida com Beyoncé em mente),
reconquistou o mundo, CONTUDO E PORÉM Beyoncé numa sexta-feira 13, para muitos
dia de azar, regressa inesperadamente e a menos de um mês de acabar o ano,
vence todas estas cantoras por uma larga margem e fez de 2013 o seu ano, legado
que certamente irá manter por boa parte de 2014.
Enquanto muitas cantoras passam
metade das suas carreiras a tentar encontrar a fórmula do sucesso, seja ela
qual for, o segredo do sucesso de Beyoncé foi precisamente não procurar nenhuma
fórmula, ela não quis chocar, não quis criar uma colecção de hits, não se
promoveu directamente, fez apenas o que lhe apeteceu, quando lhe apeteceu e o
resultado foi o melhor trabalho da sua carreira e que ficará registado como um
marco na sua já longa viagem cheia de sucessos.
Goste-se ou não da cantora, uma coisa
é certa, a indústria musical não teria sido tão interessante em 2013 se
“Beyoncé” não tivesse sido lançado. Beyoncé deu uma grande lição às suas
colegas de profissão e também à indústria musical.
É caso para dizer:
Bow Down Bitches!
BILLBOARD RATING: 90/100
HOS RATING: 85/100
BILLBOARD RATING: 90/100
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