Review: "Piece By Piece" by Kelly Clarkson


Pedaço a pedaço vemos então finalmente Kelly Clarkson retornar ao mercado com o seu primeiro disco de originais em mais de três anos.

"Piece By Piece" é o nome do novo material e com ele revisitamos tudo o que a vencedora original do "American Idol" nos mostrou ao longo dos anos - poder vocal, refrões poderosos e épicos e talento inconfundível.

Com mais de dez anos de carreira, 6 discos de originais e agora casada e recentemente mãe era esperado que este disco marcasse uma fase completamente nova para uma artista que até aqui não se preocupou muito em reinventar-se, exceptuando com o polémico "My December".

Será este disco apenas mais uma repetição da sua fórmula de sucesso ou a junção de todos os pedaços de Kelly farão com que este seja a sua obra-prima? 

Visitem todo o material com o HOS e obterão a resposta.

 "Heartbeat Song"

"Heartbeat Song" seria a escolha óbvia para single de avanço e foi mesmo. Reminiscente dos seus antigos trabalhos, "catchy" e comercial esta canção foi uma forma de "jogar pelo seguro". Nada em "Heartbeat" é ambicioso e/ou inovador, desde a composição à sua produção, mas fazia aparentemente o que era suposto, mostrar toda a ainda relevância de Kelly e fazer com que regressasse ao topo das tabelas de vendas, algo que infelizmente a canção não foi capaz de cumprir. Mesmo não sendo o momento mais inspirado do novo trabalho é sem dúvida um dos seus pontos altos e é impossível não ficar com esta canção nas nossas cabeças durante horas.



"Invincible"

Já anunciada como 2º avanço de "Piece By Piece", "Invincible" é mesmo um dos momentos mais invencíveis de todo este disco. Kelly Clarkson junta-se ao enorme clube de artistas que se renderam aos talentos de Sia que compôs esta canção. As batidas intensas, a produção épica e a composição encorajadora são os elementos a destacar nesta canção. A atmosfera em torno desta produção é algo teatral e poderia fazer parte de uma qualquer banda sonora de um filme. Um dos pontos altos do álbum, no entanto não consideramos uma boa escolha para 2º single especialmente após a fraca performance do seu antecessor uma vez que embora seja poderosa, "Invincible" não é um dos momentos mais comerciais do disco e talvez não seja o sucesso urgente que Kelly necessita neste momento.



"Someone"

E chegamos ao momento "Because Of You" do disco. Uma canção com uma composição honesta e com uma produção focada sobretudo na voz de Kelly e menos no instrumental ao contrário do que aconteceu em "Invincible". Esta é sem dúvida uma das melhores canções de "Piece By Piece".


"Take You High"

Esqueçam a voz de Kelly Clarkson. "Take You High" é talvez a maior, se não a única aventura deste disco. "Take You High" está para Kelly como "I Knew You Were Trouble" esteve para Taylor Swift em "Red", talvez a música responsável por fazer com que Taylor adoptasse um novo rumo para a sua carreira, algo que Kelly poderia tomar de exemplo com "High". Esta é uma canção carregada de sintetizadores e onde a voz de Kelly é completamente alterada no refrão pelo famoso Autotune. Esta canção não é de longe a melhor da carreira da artista nem deste disco, mas acaba por se tornar numa lufada de ar fresco num material e numa carreira que poucas vezes saiu do mesmo registo.


"Piece By Piece"

E chegamos à canção que dá nome ao disco. "Piece By Piece" é uma balada mais uma vez com uma composição honesta e com uma produção pouco comercial. Esta é mais uma daquelas canções que teria lugar em qualquer um dos seus anteriores trabalhos - exceptuando 'My December' - e/ou em qualquer outro momento da sua carreira. Cumpre mais uma vez a missão de nos mostrar o talento de uma das cantoras mais amadas dos últimos anos, mas não mais que isso.

"Run Run Run" (ft: John Legend)

A já polémica e muito falada cover dos Tokio Hotel, "Run Run Run", sempre foi um dos momentos mais aguardados do disco por ser o único dueto do disco e logo com um dos cantores mais amados do último ano - John Legend. Este é um dos momentos mais maravilhosos de todo o material, seja pela fantástica performance vocal de ambos os artistas, pela composição ou pelo instrumental poderoso que acaba por ser o climax da música à semelhança do que foi feito pelos Evanescence na versão final do seu antigo sucesso "My Immortal". Quase que conseguimos imaginar "Run" a ser lançada como 3º single e a fazer o mesmo que "Just Give Me a Reason" fez por Pink e Nate Ruess, quando foi lançada como 3º single de "The Truth About Love" acabando por se tornar no maior sucesso dessa era. "Run" é uma escolha obrigatória para futuro single mesmo sendo uma regravação. Os Tokio Hotel decerto que não se importarão e nós também não.



"I Had A Dream"

E depois de um começo maravilhoso com as canções de abertura deste disco, "I Had A Dream" acaba por ser uma desilusão. Não é de longe nem de perto uma das melhores canções neste álbum e a sua presença é mesmo questionável. A voz da cantora volta a ser o destaque de uma canção que acaba por não ter outros destaques que possamos realçar.



"Let Your Tears Fall"

E voltamos às composições de Sia. Tal como "Invincible", "Let Your Tears Fall" foi composta pela voz de "Chandelier". "Tears" é mais um grande momento de "Piece By Piece". Composição, voz, apelo comercial, esta canção tem todos os ingredientes para ser um single de sucesso. Ficamos a aguardar pelo seu lançamento.



"Tightrope"

Para quem esteve atento ao último trabalho de Shakira, "Tightrope" está para "Piece By Piece" como "That Way" estava para "Shakira". Este é aquele momento em que as cantoras gostam de mostrar todo o seu poder vocal sem grandes produções e têm todo o direito e mérito para o fazerem, no entanto, "Tightrope" não passa de mais uma balada calma e que está muito bem posicionada em "Piece By Piece" de onde provavelmente nunca vai sair. Esta é só mais uma canção no meio de outras neste novo material e será provavelmente uma daquelas criações que nunca terá grande destaque na já longa carreira de Clarkson. 



"War Paint"

Ao contrário de "Tightrope" aqui voltamos a ter Kelly Clarkson no seu "habitat natural" - o das canções com refrões pop/rock poderosos. Contudo não se pense que esta "War Paint" está ao nível dos seus grandes hinos como "Since U Been Gone" ou "My Life Would Suck Without You". Na realidade está a anos-luz e é apenas uma daquelas canções que se usa para encher chouriços num disco enquanto se espera pelos grandes hinos. 



"Dance With Me"

E por falar em grandes hinos e em antigos sucessos como "Since U Been Gone", chegamos finalmente ao momento. E a que momento nos referimos? Ao momento em que Kelly Clarkson nos dá uma das melhores e mais poderosas performances vocais de toda a sua carreira, ao momento em que nos dá uma das suas melhores criações e onde nos presenteia com mais um dos seus poderosos refrões Pop/Rock que nos dá a todos vontade de assistir a um concerto da artista e cantar bem alto os seus hinos. Um single obrigatório e o melhor momento deste disco a par de "Run Run Run", ainda que se tratem de dois registos completamente opostos. "C'mon and Dance With Me", acreditem, não nos sai da cabeça!



"Nostalgic"

O nome desta canção não poderia ter sido melhor escolhido, especialmente depois de "Dance With Me". Nostálgicos é o como nos sentimos! Com saudades de "Dance With Me" e do que realmente importa ouvir neste disco. Esta canção em tudo lembra as primeiras gravações da cantora no seu primeiro e já distante disco "Thankful" (2003). Um dos momentos menos interessantes de todo o material. 



"Good Goes the Bye"

Já em tom de despedida, "Good Goes the Bye" encerra a versão "standard" de "Piece By Piece". Esta é uma canção calma mas ao mesmo tempo deliciosa e aqui a voz  de Kelly soa um pouco ao que a mesma interpretou em "Standing In Front Of You", presente em "Stronger" (2011), ainda que sejam duas canções distintas. A presença desta canção no disco é pertinente, de qualquer forma não é uma boa faixa de encerramento, principalmente para quem apenas comprar a versão "standard". Mesmo não sendo o melhor momento do disco, acaba por ser uma daquelas canções que vale a pena escutar. 



"Bad Reputation"

"Bad Reputation", abre a versão "deluxe" deste disco. Composta entre outros por Bonnie McKee, compositora dos maiores sucessos de Katy Perry, esta "Bad Reputation" acaba por ser um dos momentos mais divertidos e interessantes de todo o material. Talvez soe demasiado ao que Pink poderia utilizar num dos seus discos, algo normal para duas cantoras que são constantemente comparadas, quer pela colaboração com os mesmos produtores, quer pelas sonoridades semelhantes que acabam por adoptar nos seus trabalhos. Embora exista uma semelhança óbvia a canção não deixa de soar a Kelly e merecia um lugar de destaque no disco em vez de canções como "Nostalgic" e/ou "Tightrope".



"In The Blue"

"In The Blue" está bem onde está, na versão "deluxe" deste álbum. É uma canção boa, satisfatória, mas que não passa disso. Não tem um refrão muito poderoso nem é um dos momentos altos, mas mais uma vez a performance vocal da cantora é inacreditavelmente boa, ainda que este elogio seja algo redundante para uma cantora que até a cantar a canção pior do mundo, faria dela um grande momento a nível vocal.



"Second Wind"

E agora sim, que bela forma de encerrar um disco. Esta sim, deveria ser a faixa de encerramento na versão "standard" de "Piece By Piece", o que significaria que estava presente na versão principal do disco onde na realidade deveria mesmo estar. Os "na na" presentes nesta canção fazem dela ainda mais "catchy" e irresistível. "You can't forget about me" ("não consegues esquecer-te de mim") é uma das frases mais ecoadas desta música e nós não podíamos estar mais de acordo com Kelly Clarkson, pois são criações como "Second Wind" que não nos deixam esquecer esta artista nem por um momento.



Será este disco apenas mais uma repetição da sua fórmula de sucesso ou a junção de todos os pedaços de Kelly farão com que este seja a sua obra-prima? 
Esta foi a questão que colocamos no inicio desta crítica e agora temos a resposta para vos dar - este disco é sim apenas mais uma repetição da fórmula de sucesso de Kelly Clarkson e está longe de ser a sua obra-prima. Agora outra questão se levanta! Será errado repetir a sua própria fórmula de sucesso?

A resposta é: depende! Mas vamos por partes.

Kelly Clarkson é daquelas artistas que está fora de qualquer competição por uma suposta coroa no mundo da POP, definitivamente esta é uma cantora que não joga na mesma frente que estrelas da POP como Madonna, Britney Spears, Lady Gaga entre tantas outras e por isso não entraremos no caminho de comparar este disco aos outros discos POP mas sim no caminho que a própria Kelly fez até aos nossos dias.


A intérprete de "Because Of You" sempre se destacou precisamente por ser diferente, por não se preocupar em ter umas belas curvas ou por criar grandes hinos POP, ainda que em determinados momentos da sua carreira tenha sido dissuadida a fazê-lo. Os resultados têm sido discos com uma fórmula muito Kelly e ao mesmo tempo muito semelhante de trabalho para trabalho, mas será que a sua galinha de ovos de ouro continuará eternamente a ser a chave para o seu sucesso?

Qualquer artista a dado momento da sua carreira deve reinventar-se, principalmente num mercado em constante mutação e desgastado por um excesso de novos artistas todos os dias que tendem a fazer dos veteranos apenas "sombras". O mundo está cansado das mesmas fórmulas e quando um artista tende a repetir-se muito, o resultado pode ser um desgaste nada apetecível para a longevidade de uma carreira que se quer duradoura.


Se quisermos encontrar uma situação semelhante basta pensar em Katy Perry que já afirmou numa recente entrevista que está na altura de se reinventar. Se "One Of The Boys" foi novidade e "Teenage Dream" a afirmação. "Prism" já foi um espelho do desgaste de uma fórmula repetida três vezes ainda que bem sucedida em todos os casos.

No caso de Kelly o percurso foi um pouco diferente, se "Thankful" (2003) foi novidade, "Breakaway" foi a sua grande afirmação (2004) já "My December" (2007), que marcou a sua única aventura na sua carreira distanciando-se do POP/Rock comercial foi o responsável por alguns problemas até de promoção do disco o que trouxe vendas nada animadoras especialmente quando comparadas com o seu predecessor.


A partir do fraco desempenho de "My December" é como se Kelly se tivesse rendido e parasse no tempo no que respeita à inovação do seu trabalho. O caminho seguinte a "My December" foi o óbvio e "All I Ever Wanted" (2009) faz regressar Kelly num registo mais comercial como seria suposto, o que não esperávamos era que os dois registos seguintes, "Stronger" (2011) e agora "Piece By Piece" (2015) se repetissem de uma forma tão óbvia.

As canções presentes nos três últimos trabalhos da cantora têm a particularidade de todas poderem serem inseridas em qualquer um dos mesmos independentemente de se tratarem de três materiais diferentes e de terem mais de 6 anos de intervalo entre eles.



"Piece By Piece", além de repetir a mesma fórmula de sempre, enfrenta ainda um problema maior em relação aos dois últimos trabalhos - se "All I Ever Wanted" tinha uma "My Life Would Suck Without You" e "Stronger" uma "Stronger (What Doesn't Kill You)", que sucesso tem "Piece By Piece"? 

O mais perto desses hinos é mesmo a "Dance With Me" que muito dificilmente salvará um disco que teve um começo de promoção nada animador com o relativo fracasso comercial de "Heartbeat Song" e que consequentemente gera falta de interesse para o que virá a seguir.


Falando ainda de "Heartbeat Song", o que há de errado com esta canção para não ter tido o sucesso esperado? Na nossa opinião, nada! O problema é mesmo o cansaço do público em relação a uma fórmula já muito utilizada pela cantora e não temos a menor dúvida que se a mesma canção tivesse sido lançada há anos atrás e noutra era teria sido um dos maiores sucessos da artista.

Não queremos com isto tudo dizer que "Piece By Piece" é um disco de má qualidade, pois é impossível uma artista com o talento de Kelly Clarkson fazer um mau trabalho. É sim um trabalho que mais uma vez não traz nada de novo para a carreira da cantora nem para o mercado musical e que comete o erro de não conter um único grande sucesso, que salvaria o material como aconteceu nas duas eras anteriores.


Estaremos nós perante o primeiro grande fracasso comercial de Kelly Clarkson? A resposta talvez seja sim! Sem um grande single de sucesso em mãos e num mercado saturado é muito pouco provável que Kelly consiga obter números satisfatórios, podendo até ficar aquém dos números obtidos por "My December".

Mas sabem que mais? Este suposto fraco desempenho comercial que se avizinha para Kelly pode até ser bom para a sua carreira pois talvez mostre à cantora e à sua equipa que é necessário mudar! Mudar os produtores, a fórmula - é necessário arriscar sem que assim perca a sua identidade.

E quem não gosta de um bom retorno? É uma excelente estratégia de marketing para muitos artistas depois de um fracasso comercial.



"Piece By Piece" cumpre por isso mais uma vez uma missão - a de mostrar pedaço a pedaço todo o talento, força e relevância de Kelly Clarkson no mercado musical. O que acontece provavelmente é que a cantora ainda não se apercebeu que o mundo inteiro já entendeu e reconheceu o seu talento e que agora é altura de abraçar novos caminhos.

Veremos este novo material como um bom trabalho que nos vai entreter enquanto esperamos pela sua verdadeira obra-prima que naturalmente irá surgir.

"Piece By Piece" representa uma vez mais a Kelly Clarkson que amamos, o que esperamos agora é que os seus futuros trabalhos espelhem a Kelly que vamos querer continuar a amar....para sempre!


HOS Rating: 55/100

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