Review: "Rebel Heart" by Madonna


Madonna. 

É bom que entendamos o poder deste nome.

Quer se goste, quer não se goste, não podemos de forma nenhuma fazer uma crítica a esta artista sem pensarmos bem no que estamos a analisar, pois estamos "só" a avaliar o 13º (!!!) disco de originais de uma cantora com mais de 30 anos de carreira, sendo "só" a artista feminina mais bem sucedida de sempre!

As suas vendas ascendem a cerca de 300 milhões de álbuns e singles vendidos!

E serão estes números alcançados merecidos?

Basta pensarmos numa questão muito simples, se o "produto" Madonna e as suas estratégias de marketing não tivessem existido ao longo dos anos, o que seriam das artistas POP hoje em dia?

A Madonna nunca teve nem terá um alcance vocal como o de Whitney Houston, por exemplo, nunca dançará como Michael Jackson, e pode estar, tecnicamente falando, abaixo da qualidade de muitos dos artistas do seu tempo e até a alguns dos nossos dias, mas tem um elemento diferenciador que a soube manter no topo até aos dias de hoje - a sua ousadia.


Enquanto hoje lançar uma música como "Drunk In Love" ou um vídeo como o de "Wrecking Ball" é algo banal, fazem ideia do quão arriscado foi lançar uma música como "Like A Virgin" em 1984???

Madonna não precisou de muito tempo para perceber que não lhe bastaria lançar faixas dançantes como fizera no seu álbum de estreia, "Madonna" (1983). 

Contra tudo e todos e logo no seu 2º disco de originais, "Like A Virgin" (1984), a cantora percebeu que poderia aliar a sua sonoridade dançante a composições polémicas envolvendo temáticas como a sexualidade feminina (tabu ainda maior na época) e que consequentemente lhe daria elementos interessantes para incluir nos videoclipes e nos concertos.


Com a sua música ao longo dos anos, a cantora atacou em todas as frentes - Sexo (Like A Virgin), Fama/Poder (Material Girl), Países Latinos (La Isla Bonita), Igreja (Like A Prayer), Feminismo (Express Yourself) Público Gay (Vogue) - conseguindo sempre ser original e reinventando-se a cada lançamento.

A sua música, produtores, figurinos, vídeos, visual, tudo ainda hoje é influência para as outras artistas, mantendo a cantora de "Rebel Heart" sempre à frente do seu tempo e talvez por isso, tenha desde cedo ganho o título de RAINHA DA POP.

Nada parecia parar esta cantora, até ao dia em que a própria Madonna resolveu inverter os papéis em 2008 com o lançamento de "Hard Candy". Com este disco a rainha pela primeira vez decide seguir as tendências dos seu "subordinados" em vez de as ditar e o resultado....não foi o melhor.

Nada fazia prever que depois do triunfante e mais uma vez inovador, "Confessions On A Dance Floor" (2005) a cantora cedesse perante a pressão do mercado e lançasse "Hard Candy".

Timbaland, produtor dos bem-sucedidos "FutureSex/LoveSounds" de Justin Timberlake, "Loose" de Nelly Furtado e do seu próprio "Shock Value", foi desafiado por Madonna, juntamente com os The Neptunes a criar mais um álbum cheio de sucessos para a rainha da POP, mas tudo o que criavam era um disco cheio de canções com uma sonoridade já trabalhada e "gasta" no mercado pelos artistas já mencionados e tantos outros nomes não referidos.


O mundo não estava preparado para uma Madonna que seguia as tendências em vez de as ditar e por isso rapidamente se esqueceu "Hard Candy" para dar entrada ao que se pensou ser o retorno triunfante de Madonna, - falamos de "MDNA" (2012).

De facto, "MDNA" tinha tudo para ser o seu grande retorno, já que tínhamos o regresso de um dos seus produtores que mais alegrias lhe dera no passado, falamos de William Orbit (Ray Of Light), tínhamos a performance no Superbowl e uma sonoridade que todos pensavam ser diferente, só que não foi.

Mais uma vez tínhamos uma Madonna que usava sonoridades datadas e com composições como a de "Give Me All Your Luvin'", em que parecia haver um claro desespero da cantora em parecer jovem com composições muitas vezes dignas de um álbum de uma artista adolescente em início de carreira, tornando "MDNA" num erro ainda maior que "Hard Candy".


As perguntas que todos fazemos após esta análise são:

E agora? O que Madonna nos preparou? Será "Rebel Heart" mais um erro? O erro fatal da carreira já longa desta artista? Será a sua redenção, o seu verdadeiro retorno?

Terá o mundo ainda interesse por saber o que Madonna fez após dois erros consecutivos?

Não se preocupem, a Madonna dá-vos 25 motivos para acreditarem no seu coração rebelde uma vez mais! Acompanhem-nos nesta viagem e conheçam faixa a faixa deste seu novo material e descubram ainda a opinião que temos deste aguardado lançamento, "Rebel Heart".


1. "Living For Love"

Começamos esta viagem com o primeiro avanço de "Rebel Heart", a já conhecida "Living For Love". A produção de Diplo é já um dos melhores lançamentos da cantora em muitos anos. Esta canção tem o mérito de soar actual ao mesmo tempo que relembra sucessos antigos como "Like A Prayer", usando um coro gospel à semelhança do que fora feito com "Prayer". Para além de ser uma das melhores performances vocais da cantora em anos é também uma canção que representa na perfeição o desejo dos seus fãs - sentir de novo uma faixa a "soar Madonna" em vez de uma cópia de outros artistas como foram os primeiros singles das duas eras anteriores. Um dos melhores momentos de todo o disco.



2. "Devil Pray"

"Devil Pray", produzida por Avicii tem como elemento principal a sua composição, mais uma vez ousada e desafiante como só Madonna sabe fazer. A igreja é mais uma vez "provocada" nesta composição algo polémica. A performance vocal é mais uma vez irrepreensível e mesmo não sendo uma das canções mais excitantes de "Rebel Heart" será certamente uma das canções mais comentadas pelos fãs da cantora. Por fim, resta frisar que o uso da guitarra aliada à música electrónica, uma constante nos últimos trabalhos de Avicii, é a formula usada em "Devil Pray", ainda que não soe de imediato a uma produção do DJ.



3. "Ghosttown"

Uma das poucas canções que não foi liberada antes do seu lançamento oficial é também uma das melhores de todo o novo material. Esta é daquelas canções que tem todos os ingredientes do sucesso - bem produzida, bem composta e uma grande balada como não ouvíamos há muito tempo a ser interpretada por Madonna, mas não se preocupem, neste disco terão muitas outras. Quase que conseguimos imaginar a cantora sozinha numa cidade abandonada no video oficial da canção. Tem potencial para ser lançada como single.



4. "Unapologetic Bitch"

Mais uma produção de Diplo, onde Madonna desta vez namora o estilo musical raggae. Esta é das canções menos inovadoras do disco e soa a algo que M.I.A, Robyn ou até Rihanna pudessem ter interpretado. O facto de ser uma música que em nada soa à artista que a interpreta é talvez a única crítica construtiva que podemos fazer a "Unapologetic Bitch". A sua composição é claramente autobiográfica, onde Madonna, como é natural ao fim de mais de 30 anos, faz uma reflexão sobre o seu percurso até aos dias de hoje.



5. "Illuminati"

Neste "Rebel Heart", a cantora mais uma vez aliou a sonoridade às composições polémicas. E além de sexo e religião, nada melhor do que abordar um dos temas mais polémicos e comentados do momento - o movimento "Illuminati" e associar a si nomes como Oprah, Lady Gaga, Beyoncé e até Kanye West - o produtor desta canção. Esta é sem dúvida uma canção e produção inteligente, mas que não toca nem de perto aos momentos áureos que "Rebel Heart" já nos apresentou e ainda nos vai apresentar.



6. "Bitch I'm Madonna" (ft: Nicki Minaj)

Madonna abre esta canção dizendo que vamos adorá-la e não é que tinha razão? Contudo, temos que ser honestos, "Bitch" é uma canção com uma composição nada interessante, com uma produção ainda menos interessante e que soa completamente fora de contexto em "Rebel Heart". Ainda assim será certamente uma das canções mais adoradas pelos fãs, dado o título sugestivo e o apelo dançante e viciante que a música acaba por ter. Os versos de Nicki Minaj passam mais uma vez despercebidos como acontecera em "Give Me All Your Luvin'". Embora não deixe de ser uma boa canção, é daquelas músicas que podia facilmente estar presente em qualquer outro álbum de uma outra artista POP. Como em "Rebel Heart" procuramos e existem momentos que só na voz de Madonna fazem sentido, tornam esta "I'm Madonna" numa antagonista deste "Rebel Heart".



7. "Hold Tight"

Madonna gosta de provocar e nós também e por isso não podemos deixar de mencionar que esta "Hold Tight" soa a uma demo rejeitada por Lady Gaga que fala sobre ficarmos todos juntos, pois tudo ficará bem! Uma composição para lá de genérica e que não faz jus a tantas outras composições de qualidade presentes neste disco. Esta é uma daquelas canções em que tudo falha e que poderia ter ficado de fora do disco e por isso mesmo vamos continuar esta viagem sem mais demoras.



8. "Joan Of Arc"

Mais um momento inteligente em "Rebel Heart". Composição interessante e título sugestivo que possibilita, em caso de lançamento oficial, um vídeo com elementos históricos e ricos. Este sempre foi um dos pontos altos da carreira de Madonna, criar composições inteligentes que lhe dessem elementos visuais ricos e muitas vezes polémicos que ajudavam a enriquecer e promover melhor os seus trabalhos. Joana D' Arc é uma heroína francesa e santa da Igreja Católica e que nos mostra mais uma vez o eterno "namoro" de Madonna com elementos históricos e principalmente com a igreja. Esta canção é uma balada deliciosa em que a cantora soa mais vulnerável que nunca e mais uma vez com uma performance vocal brilhante. Sabe bem ouvir quando Madonna deixa de ser Madonna e passa a ser humana como todos nós. Mais uma canção com potencial para ser single.



9. "Iconic" (ft: Mike Tyson & Chance the Rapper)

"Iconic" mostra-nos um dos refrões mais dançantes de Madonna desde o lançamento do single "Celebration", aliás "Iconic" tem momentos que nos lembra precisamente "Celebration" tanto na sua produção como interpretação vocal da cantora. Quanto à composição em oposição a "Joan Of Arc" voltamos a ter Madonna a agir como Madonna e afirmar-se como icónica. Talvez seja um pouco exagerado o uso de elementos autobiográficos e pouco modestos da artista em "Rebel Heart". Os convidados mais uma vez passam despercebidos na canção como acontece quase sempre que a cantora colabora com alguém nas suas músicas. Este é um momento interessante mas longe de ser icónico.



10. "HeartBreakCity"

E chegamos a um dos momentos mágicos deste álbum. Uma grande balada e um momento mais uma vez vulnerável, "despido" e humano de Madonna, porque afinal ela é uma pessoa como todos nós, com desilusões, dissabores e problemas. Aqui a cantora fala de ter ficado com o coração partido após mais uma relação amorosa falhada, uma constante ao longo dos anos. "HeartBreakCity" tem um dos melhores refrões de todo o álbum e toda a tristeza, raiva e sentimento fazem deste um dos melhores momentos de "Rebel Heart", mostrando aqui um coração menos rebelde.



11. "Body Shop"

O que dizer sobre esta "Body Shop"? Bem, temos que começar pela sua inteligente composição e mais uma vez metafórica em que a cantora fala de alguém que trabalha numa "loja do corpo" e que está à vontade para reparar o seu corpo, como se de um carro se tratasse! É caso para dizer que nem os 56 anos da cantora lhe retiram o seu apetite sexual e/ou pelos menos a habilidade de provocar o seu ouvinte e os críticos. A produção desta canção é minimalista assim como a sua interpretação. A forma como Madonna canta "Body Shop" é irresistível. Este é sem dúvida um bom momento mas talvez soe um pouco fora de contexto em "Rebel Heart". 



12. "Holy Water"

Composta por Natalia Kills, conhecida pelas suas composições provocatórias como "Kill My Boyfriend", esta canção divide opiniões. Uma coisa é certa, se há alguma canção que seja Madonna do primeiro ao último pormenor, essa canção é "Holy Water". Uma faixa electrónica, dançante, comercial e sobretudo provocadora que assenta que nem uma luva ao reportório da rainha da POP. A cantora aborda aqui o sexo oral e o sabor a agua benta que poderá desse acto surgir...!!! Uma canção que os filhos da cantora certamente adorarão cantar em conjunto com a sua mãe. Brincadeiras à parte, além de todo o potencial da canção, "Water" ainda contém elementos do "rap" de "Vogue" que ajudará a aumentar o interesse pela canção. A sua produção lenta, electrónica e "dark" lembra por vezes um dos únicos momentos brilhantes em "MDNA", falamos de "Gang Bang". Por tudo o que já foi mencionado e mesmo não sendo o melhor momento em "Rebel Heart" esta é uma faixa essencial e impossível de não incluir no álbum.



13. "Inside Out"

"Inside Out", tal como "Hold Tight" é daquelas canções que sentimos que estão a roubar o lugar a outros hinos que poderiam fazer de "Rebel Heart" um disco magistral. "Inside Out" é só mais uma música que será esquecida facilmente não adicionando nada de novo ao disco e ao reportório da artista.



14. "Wash All Over Me"

E chegamos à ultima música da versão "standard" deste disco. Esta é a maior surpresa de todo o material. "Wash All Over Me", a par de "Rebel Heart" foi a primeira canção a cair na rede e que dava inicio ao pesadelo de Madonna. Na sua versão inacabada, "Wash" era uma música dançante que foi de imediato elogiada pelos fãs, mas Madonna quis surpreender e fez de "Wash All Over Me" mais uma balada épica presente em "Rebel Heart". A sua composição prende-se com o facto da cantora sentir que não pertence a este mundo. Quantos de nós sentimos o mesmo e nos identificamos com esta composição? Esta é uma canção essencial e o melhor momento de todo o material. Deveria ser sem dúvida lançada como single oficial. 



15. "Best Night"

Começamos a versão "deluxe" com "Best Night", que soa a uma canção que acabou por ser rejeitada em "Hard Candy" e que por isso não fazia falta neste novo material. A sua composição aborda um dos temas preferidos de Madonna - sexo e a sua promessa de que alguém terá a melhor noite da sua vida junto a si.



16. "Veni Vidi Vici" (ft: Nas)

O título desta canção significa algo como "Vim, vi e venci". Pelo título facilmente percebemos que se trata de mais uma canção autobiográfica da cantora e de toda a sua história. Esta é a música mais pessoal da artista de todo este material. Esta é uma boa canção mas falta-lhe um momento crucial, talvez um refrão mais apelativo para fazer dela um potencial sucesso. O contributo de Nas aqui é notado e importante ao contrário dos convidados das canções "Bitch I'm Madonna" e "Iconic". A produção e o instrumental, especialmente na parte em que o rapper canta os seus versos é extremamente viciante, mostrando uma vez mais que esta música tinha potencial para ser muito melhor.



17. "S.E.X"

Aqui a cantora desafia-nos e pergunta-nos o que sabemos sobre sexo? Comparando com Madonna provavelmente nada, mas não temos que nos preocupar, porque com esta produção electrónica e "dark", Madonna explica-nos tudo o que precisamos de saber sobre sexo. A composição não é inteligente depois de tantas músicas a falarem do mesmo, a produção também não é a mais inovadora sendo apenas mais uma canção deste disco e que em muitos momentos, nomeadamente no "rap" soa a algo que Beyoncé tivesse rejeitado do seu último disco homónimo ou até a "Sexercize" de Kylie Minogue.



18. "Messiah"

"Messiah" não é mais do que uma "Joan Of Arc" parte dois. Uma balada que fala de amor mas com um título sugestivo e religioso. Embora as duas canções soem muito idênticas, "Messiah" merece um lugar de destaque neste "Rebel Heart" sendo mais uma performance vocal rica da cantora e mais uma composição sobre amor falhado. "Messiah" lembra também por vezes "Masterpiece" presente em "MDNA" e remete-nos uma vez mais para o lado mais vulnerável da artista aparentemente forte e intocável. "Messiah" merecia um lugar na versão "standard" em vez de "Hold Tight" ou "Inside Out".



19. "Rebel Heart"

E chegamos ao fim da versão "deluxe" com a faixa que dá nome a este disco. Produzida por Avicii, esta é mais uma das canções em que a cantora reflecte sobre a sua vida - uma constante neste trabalho. A produção, ainda que menos ambiciosa e inovadora que "Devil Pray", usa a mesma fórmula - o uso de guitarra aliado à musica electrónica. A demo era de facto melhor do que a versão final, mas talvez Madonna tenha sido obrigada a fazê-lo depois de ter visto esta canção ser liberada na internet tão cedo. Não é um momento essencial neste trabalho, é apenas mais um momento e embora seja uma canção com potencial, acabou por ficar aquém das expectativas.



20. "Beautiful Scars"

E entramos na versão "super deluxe" deste disco. "Beautiful Scars" é a primeira canção e é absolutamente irresistível. Há semelhança de "Body Shop" aqui Madonna interpreta a canção de uma forma improvável mas absolutamente "deliciosa". "Beautiful Scars" abraça o estilo musical pop/disco de uma forma brilhante. A voz da cantora está "limpa" e fantástica na interpretação desta "Scars". Não se percebe como uma canção como esta é colocada para segundo plano com tantas outras mais fracas nas versões principais deste CD. Tentem resistir a esta interpretação de Madonna, que soa muitas vezes a algo que os Daft Punk pudessem ter trabalhado.



21. "Queen"

Embora o nome sugira que mais uma vez Madonna vai cantar sobre todo o seu poder, "Queen" é na verdade uma balada bem vulnerável e nova - nova porque foi das únicas canções que não tinha ainda sido liberada na internet antes da sua versão final. A performance vocal é perfeita, a produção algo minimalista e "Queen" é um dos momentos que provavelmente passará despercebido entre tantos outros grandes momentos neste material, mas que merece sem dúvida o seu lugar neste disco.



22. "Borrowed Time"

Mais uma produção Avicii, mais uma fórmula repetida mas desta vez magistral. "Borrowed Time" é um dos melhores momentos de todo o álbum e continuamos sem perceber como só mereceu estar na versão "super deluxe" de "Rebel Heart". A voz da cantora soa estupidamente bem em "Borrowed Time" estando a cantora aos 56 anos no seu melhor momento enquanto intérprete. Esta balada que apela à paz no mundo e que nos alerta para que o tempo é apenas emprestado e temporário, poderia facilmente estar no famoso disco, "True" de Avicii e ser um sucessor de "Wake Me Up", mas ficou em "Rebel Heart" e esperemos que a cantora acabe por promover esta fantástica produção.



23. "Grafitti Heart"

Mais um momento delicioso de "Rebel Heart". A interpretação vocal de Madonna remonta aos seus primeiros momentos enquanto performer. A produção da música é viciante e catchy ficando rapidamente nas nossas cabeças. A única critica a fazer a "Heart" é a composição um pouco "adolescente". "Grafitti Heart" poderia ter sido facilmente a sucessora de "Call Me Maybe" de Carly Rae Jepsen e não uma música interpretada por uma cantora já com 56 anos e com vivências capazes de lhe dar composições bem mais maduras e inteligentes. No entanto, "Grafitti Heart" é boa o suficiente para numa tarde de sol colocarmos o volume no máximo no nosso carro e cantarmos esta música como se não houvesse amanhã.



24. "Autotune Baby"

E chegamos ao verdadeiro momento "WTF" de "Rebel Heart". Ninguém vai conseguir acreditar que esta "Autotune Baby" aconteceu mesmo! A começar pelo choro de um bebé com efeitos de Autotune e a acabar na composição para lá de infantil! Parece uma daquelas músicas estranhas que Nicki Minaj incluiria num dos seus discos. Entrará certamente para a história como uma das piores do catálogo de Madonna, mas sabem que mais? É tão má que se torna irresistível e divertida. Para a credibilidade deste disco era melhor que "Baby" nunca tivesse acontecido, mas agora que aconteceu....não conseguimos deixar de nos divertir com "Autotune Baby".



25. "Addicted"

Estamos oficialmente viciados em "Addicted"! O mundo ficará obcecado por "Addicted"! E o que fez Madonna? Colocou a melhor música do disco a par de "Wash All Over Me" na versão "super-deluxe" do álbum. A menos que a cantora queira ter deixado o melhor para o fim, não encontramos outra explicação para o sucedido. "Addicted" é dançante, é catchy, é comercial e sobretudo viciante. É amor à primeira audição e uma das melhores músicas da cantora desde a era "Confessions On A Dance Floor" há 10 anos atrás, aliás esta canção teria ficado muito bem colocada nesse disco. É uma das canções com mais potencial para se tornar um sucesso nas pistas de dança e nas tabelas de vendas mas tememos que nunca seja lançada oficialmente! Ainda assim ficamos seguros de que "Addicted" terá sempre um dos papéis principais num álbum carregado de figurantes.




"Rebel Heart" não prometia nada, a expectativa, curiosidade e sobretudo esperança por um novo disco glorioso de Madonna era mínima, exceptuando claro os hackers que resolveram liberar todo o álbum na internet antes do lançamento oficial.

Começando logo pela capa do álbum, a mesma foi extremamente bem conseguida possibilitando uma curiosa e bem sucedida estratégia de marketing para a divulgação do CD.


Mas como, felizmente, não só da capa vive este "Rebel Heart", temos que falar do seu conteúdo.

Não que a cantora ainda precise de provar o que quer que seja, mas o que é facto é que este torna-se oficialmente no terceiro disco consecutivo em que a rainha da POP não inova, em que segue muitas vezes tendências e que acaba por reciclar os produtores mais famosos do último ano e que entretanto passaram de moda. Exemplo disso mesmo é Avicii que dominou o mundo com "Wake Me Up" e "Hey Brother" e que agora em 2015 está com dificuldades em replicar o seu sucesso com "The Days" e "The Nights"!

Mas quem disse que Madonna precisava de se reinventar como fez ao longo de mais de 30 anos para ter em mãos um álbum com qualidade? Bastava encontrar um equilíbrio entre o que é actual e o que a tornou na estrela que conhecemos hoje, resultando num misto de "rebeldia" e também de "coração". 

"Rebel Heart" cumpre essa missão da forma mais brilhante possível.


Com "Rebel Heart", podemos finalmente esquecer que "Hard Candy" e "MDNA" existiram e dar as boas vindas à verdadeira Madonna que todos adoramos. "Heart" não é a sua obra-prima, não é o seu melhor trabalho nem será um marco para o mundo da música mas faz finalmente jus ao maior nome feminino da história da música POP.

Como o álbum prometia pelo seu título, a cantora tem a rebeldia e a ousadia de abordar temas controversos como o sexo (S.E.X, Best Night, Body Shop e na brilhante Holy Water), a religião (Joan Of Arc, Messiah, Devil Pray), e também nos mostra o seu lado mais vulnerável (HeartBreakCity, Borrowed Time, Ghosttown, Wash All Over Me) havendo ainda espaço para dançar muito com os seus hinos POP (Living For Love, Addicted, Grafitti Heart) e por fim ainda há tempo para abordar a sua história (Iconic, Veni Vidi Vici, Unapologetic Bitch, Rebel Heart, Bitch I'm Madonna).

Um dos pontos negativos é o facto de o disco ter na totalidade 25 músicas, o que faz com que existam muitas dispensáveis mas ao existirem verdadeiros hinos neste disco faz-nos quase esquecer as falhas e incoerências de "Rebel Heart".

Finalmente temos em mãos um álbum que é uma celebração dos 32 anos de carreira de Madonna e que soa definitivamente a um trabalho seu, criado para si e com toda a sua alma colocada nas suas canções ao contrário dos últimos lançamentos que soavam datados e a "sobras" que outros artistas não quiseram gravar.

Temos finalmente um disco equilibrado mesmo com todos os seus desequilíbrios. Ainda está para nascer a cantora com a capacidade de aos 56 anos soar tão rebelde, genuína, jovem e manter a sua qualidade e relevância como Madonna continua a fazer. 

Tenham a ousadia de dar uma chance à cantora que mais influenciou e abriu portas para o que hoje é produzido na música POP e conheçam o coração mais rebelde que a música POP alguma vez conheceu.


As melhores músicas do disco: "Addicted"; "Wash All Over Me"; "Living For Love"; 

As piores músicas do disco: "Hold Tight"; "Inside Out"; "Best Night";


HOS RATING: 80/100

1 comentários:

  1. Luís disse...:

    Adorei a crítica, apesar de não concordar com algum "positivismo" sobre algumas músicas.
    Nice job! ;)

 
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