E acaba de nos chegar a fruta mais madura que o POP alguma vez nos deu! A dona deste pomar de talento é Marina & The Diamonds.
A cantora galesa de 29 anos tem sido uma das maiores promessas da POP nos últimos anos, mas será que há terceira é de vez e com o 3º disco de originais veremos finalmente uma promessa virar uma realidade?
"Primadonna" presente no seu último disco e produzida por Dr. Luke foi a canção que colocou a cantora mais perto do estrelado mundial, mas desengane-se quem pensa que a cantora se rendeu ao mercado mais "comercial", uma vez que confeccionou toda a sua nova "fruta" por si mesma, tendo escrito todas as canções e também produzido as mesmas na companhia de apenas um produtor - David Kosten.
Curiosos para conhecerem toda a fruta que vai compor as nossas fruteiras nos próximos meses/anos?
Acompanhem-nos nesta viagem por "Froot" com Marina And The Diamonds.
"Happy"
Esta "Happy" é sem dúvida o mirtilo deste disco, uma vez que tal como o fruto é uma das canções mais doces e ao mesmo tempo ácidas que o disco nos apresenta. O disco é então iniciado por esta balada que embora fale sobre encontrarmos finalmente a felicidade dentro de nós, é um dos momentos mais tristes do disco, o que mostra pela interpretação majestosa da cantora, que talvez não esteja ainda tão feliz como quer fazer parecer. Vulnerável é a palavra que melhor define esta canção e esta composição inteligente que se pode identificar com qualquer pessoa que a ouça. Este é um dos melhores momentos de todo o disco e também de toda a carreira de Marina and The Diamonds.
"Froot"
Podem oficialmente recompor-se da vulnerabilidade de "Happy" e entrar na metafórica e deliciosa "Froot". A faixa que dá nome e conceito a este novo trabalho é sem dúvida o momento mais delicioso e por isso o morango deste disco. A composição desta canção é digna de um génio, o que mostra não só a força desta artista como intérprete mas também enquanto compositora dos seus temas. Além da composição toda a produção é mágica transportando-nos para fora deste mundo. Esta é com a maior das seguranças uma das melhores criações POP de todos os tempos e estamos ainda chocados como a mesma não conseguiu obter qualquer impacto comercial nas tabelas de vendas. É caso para dizer que a fruta proibida nem sempre é a mais apetecida.
"I'm a Ruin"
Com alto teor de açúcar e ao mesmo tempo muito ácida a nêspera define na perfeição esta brilhante "I'm a Ruin". Desta feita, Marina coloca-se no papel de "má da fita" em vez de ser a "vítima" dizendo de forma doce ao seu amado que o vai arruinar e que quer ser livre. Mais uma composição honesta, sentida e uma produção POP que nos transporta mais uma vez para um mundo onde actualmente apenas Marina habita e que nós nos sentimos privilegiados em fazer parte dele.
"Blue"
Tal como as bananas, "Blue" começa muito verde no início, prometendo muito pouco até que vai amadurecendo e ficando doce, infantil e épica no seu refrão. A canção começa por falar do fim de um relacionamento que não deveria ter ocorrido até que se torna num dos momentos mais POP e alegres de todo o material. Haverá algo melhor que dançar e esquecer os problemas de amor? Com "Blue" isso é possível.
"Forget"
Tal como as maçãs, que têm diversas derivantes, espécies e sabores também o nosso passado é composto por diversas situações diferenciadas, por diversas pessoas e momentos que nos marcam, às vezes pela negativa e o que fazer nesses casos? Viver preso ao passado ou esquecer? Se calhar o melhor é mesmo ESQUECER. E este é o mote de mais uma canção com uma composição facilmente identificável com qualquer um de nós. Embora o título seja "Forget" esta é aquela canção que não mais irão esquecer. Com elementos "rock" rapidamente imaginamos alguém como Gwen Stefani a ecoar este refrão poderoso, mas não se pense por isso que a música não soa genuína na voz de Marina. Uma das mensagens mais poderosas e uma das canções fundamentais deste novo material. Devia ser punível por lei não ouvir esta "Forget".
"Gold"
Imaginem-se a beber um saudável sumo de laranja natural ao som da também saudável e irresistível "Gold". Uma canção POP que fala da busca pela liberdade apresenta-nos mais uma vez a voz inconfundível de Marina no seu melhor e "perdida" no meio de sintetizadores que tornam o ambiente da canção ainda mais épico.
"Can't Pin Me Down"
E o momento mais acido como o limão vem com esta "Pin Me Down". Lembram-se do que Lady Gaga quis transmitir com "Do What U Want"!? Pois bem, com esta canção, Marina quer transmitir o mesmo, afirmando que podem fazer o que quiserem com ela e que ela não é como as outras, algo que não podíamos estar mais de acordo. Marina não é mesmo como as outras.
"Solitaire"
Mais vale só do que mal acompanhado. Um dos ditados mais populares aplica-se nesta balada intimista "Solitaire". Tal como o kiwi que se esconde numa capa nada apetecível tendo um interior magnifico, esta canção aborda um tema muito familiar a todos nós, aquela fase em que temos que nos munir da nossa capa e isolarmo-nos do mundo para nos encontrarmos novamente. Este é um tema que só peca por ser demasiado lento, acabando por ser ofuscado pelos momentos mais explosivos deste material. Contudo, não deixa de ser maravilhoso poder ouvir Marina e as suas interpretações que têm tanto de teatral como de genuíno, por mais antitético que seja, esta é a realidade deliciosa deste material - a fusão entre o teatral e o genuíno.
"Better Than That"
De onde podemos colher as famosas amoras-silvestres? As mesmas são os frutos das designadas vulgarmente por "silvas", que são na verdade uma das plantas mais selvagens e agressivas da natureza e assim está Marina nesta poderosa "Better Than That". Mais uma vez a namorar o "rock", vemos a cantora a falar da vida promiscua de uma mulher com voz de anjo. As más línguas dizem que a musa inspiradora desta criação foi mesmo Ellie Goulding , algo que não seria de todo inédito, uma vez que "Don't" de Ed Sheeran também fora inspirado na alegada vida promiscua da interprete de "Love Me Like You Do". Voltando ao importante, a "Better Than That", é POP/Rock no seu melhor e poderia estar na banda sonora de qualquer filme de acção onde a traição fosse o tema central. Só nos resta dizer que Marina poderia ter feito melhor que "Better Than That", mas seria quase impossível uma vez que esta é uma das criações mais brilhantes de "Froot".
"Weeds"
Sabem qual o problema de Marina em "Weeds"? É que todos os seus namorados foram apenas chão que já deu uvas - na verdade, a cantora afirma mesmo nesta "Weeds" que sente falta de todos os seus "ex". Dá para acreditar? Este é um dos momentos mais deliciosos de todo o material, uma balada rock com um solo de guitarra brilhante no final da canção, que a faz digna de ser uma mega-balada de uma qualquer banda de rock conceituada, mas não é. É sim um dos momentos mais épicos de todo o material a todos os níveis e tal como ervas daninhas, Marina é um "mal" que nunca quereremos cortar pela raiz.
"Savages"
Querem saber qual a maior verdade sobre o ser humano!? "Savages" é a resposta. Esta é a maior e mais dura verdade sobre todos nós, afinal como nos diz Marina, no fundo somos todos selvagens, somos todos animais a aprender ainda a comportarmo-nos neste mundo - tal como as cerejas que por baixo da sua figura apetecível, têm veneno nas suas sementes! Talvez a composição mais honesta e assertiva de todo o material e um dos momentos mais épicos do mesmo. A produção desta canção usa e abusa dos sintetizadores e a sua composição polémica daria um video maravilhoso, ainda que esta não seja a faixa mais comercial de "Froot".
"Immortal"
Marina quer ser imortal, tal como o melão que é a fruta mais antiga alguma vez encontrada por arqueólogos, sendo consumida pelo menos há mais de 2.100 anos!!! Esta é uma composição teatral e que nos remete até pela sua sonoridade para a religião, pois fala na necessidade que todos ou muitos de nós termos em ser lembrados, em sermos eternos no sentido figurado ou literal da palavra. "Immortal" é uma balada intensa, emotiva, sincera e verdadeira em todos os sentidos que a palavra "verdade" pode ter. Haveria forma mais emocionante e épica de encerrar este disco? Pensamos que não! Começamos felizes e acabamos imortais!
Será que há terceira é de vez e com o 3º disco de originais veremos finalmente uma promessa virar uma realidade?
Esta foi a pergunta com que iniciámos esta crítica e a resposta é: ABSOLUTAMENTE!
Marina deixou oficialmente de ser a promessa para ser uma confirmação - a confirmação do talento, da garra, da sua relevância e sobretudo da sua bravura enquanto artista que não tem medo de arriscar.
Ainda assim, bem sabemos que "Froot" será uma das maiores injustiças da POP e todo este talento não será suficiente para fazer com que este disco seja o sucesso comercial que merecia, mas a culpa não é de Marina, aliás na realidade, não sabemos de quem é a culpa - do que estamos certos é que mesmo que esta fruta nunca seja consumida como deveria a mesma continuará preservada para sempre na história como uma das maiores criações POP dos últimos anos.
Marina and the Diamonds fez tudo o que estava certo, - mesmo num mundo em que 'estar certo' não é suficiente para triunfar - tendo-se reinventado, abraçado novos géneros musicais, novos conceitos visuais para os seus materiais e ainda tendo criado composições mais do que inteligentes - geniais.
Em muitos momentos, Marina faz-nos sentir como se a mesma tivesse composto este material baseado na nossa história de vida e é isso que torna as suas composições mágicas, por mostrar que a cantora é "uma de nós" e que canta sobre temas que qualquer um de nós se pode identificar, ao contrário de composições fúteis e datadas sobre curvas femininas, sexo, dinheiro e fama que acabam por saturar um mercado que é cada vez menos criativo no que toca às suas criações.
Este é portanto um disco despretensioso que não se mune de produtores famosos ou de grandes artifícios ou esforços para se tornar comercialmente apelativo, É sim puro POP, pura magia e pura verdade.
Com "Froot" dançamos, choramos, reflectimos e sobretudo revemo-nos todos um pouco em cada canção interpretada de forma irrepreensível por uma das cantoras mais talentosas dos últimos anos.
Numa das suas canções - "Immortal" - a cantora pede para ser imortal e para que a mantenhamos viva, o que a cantora talvez ainda não saiba é que com este seu novo disco - "Froot" - o seu nome ficará para sempre imortal mesmo que nunca venha realmente a nascer!
HOS Rating: 90/100











_1_Luc_Viatour.jpg)












0 comentários:
Enviar um comentário