[Review] "Jackie" by Ciara


Ciara.

Já lá vão 11 anos desde que a promessa de seu nome Ciara tomou o mundo de assalto. 

2004 foi o ano da cantora que com "Goodies" conquistou o mundo vendendo mundialmente mais de 5 milhões de discos.

O seu som urbano e ao mesmo tempo dançante e a sua beleza tornou-a numa das cantoras mais comentadas daquele ano, contudo, os anos seguintes não se avizinhavam fáceis para a carreira da cantora de "Oh".

Em 2006 com o seu segundo disco a cantora começava a preocupar uma vez que os números alcançados não eram os esperados, especialmente depois de uma estreia tão comentada e aplaudida.

Mas foi em 2009 e 2010 com as vendas baixíssimas dos 3º e 4º álbuns de originais 'Fantasy Ride' e 'Basic Instinct' respectivamente que a cantora denotou mesmo precisar de uma revitalização na sua carreira.


Já em 2013 com o homónimo 'Ciara' tudo parecia finalmente estar no caminho certo para a cantora que lutava há anos para o seu ressurgimento. Apaixonada pelo rapper Future, e com o single mais bem sucedido dos últimos anos 'Body Party' e ainda com o apoio de uma nova gravadora, tudo fazia parecer que este seria o álbum que faria a ponte perfeita para o seu renascimento.

'Jackie' lançado então como 6º álbum de originais e depois de todo o buzz gerado por 'Ciara' seria então o álbum com a responsabilidade de continuar o legado deixado pelo último disco e fazer com que finalmente a cantora se reafirmasse nas tabelas de vendas.

Será então este o disco capaz de reafirmar o nome CIARA como um dos nomes mais poderosos da música actualmente ou por outro lado manterá a americana nas sombras de outros artistas?

Vamos descobrir todas as músicas e obter a resposta.


1. "Jackie (BMF)"

Este disco é então aberto pela faixa que dá nome ao mesmo e que é uma homenagem à mãe da cantora. Esta é uma canção que parece que tem várias dentro da mesma. Confusos? É assim que também ficamos ao ouvir esta 'Jackie'. Uma confusão de batidas e momentos que faz com que nos sintamos perdidos e com vontade de ouvir a próxima e é isso mesmo que vamos fazer.




2. "That's How I'm Feelin'" (ft: Missy Elliott & Pitbull)

Prontos para dançar? A eterna madrinha de Ciara, Missy Elliott volta a ensinar a sua subordinada como produzir uma faixa urbana e que ao mesmo tempo conquiste as pistas de dança. Um dos momentos mais comerciais e irresistíveis de todo o disco e que se tornará facilmente um single. Pitbull dá o seu contributo nesta canção e tem assim mais um nome feminino a juntar às suas infindáveis colaborações. Não é uma canção inovadora nem a maior obra prima da cantora mas é sem dúvida o momento mais dançante da sua carreira desde 'Love Sex Magic'. Tentem ficar parados...! 




3. "Lullaby"

A primeira de muitas produções de Dr. Luke neste disco deixa muito a desejar, especialmente depois de "Feelin'". Esta faixa não é suficientemente urbana nem tão pouco dançante. Não soa a Ciara nem a uma produção de Dr. Luke e não ajuda este disco a cumprir a sua missão.





4. "Dance Like We're Making Love"

Mais uma produção de Dr. Luke, mas que agora faz toda a diferença. Planeada inicialmente como segundo avanço deste disco, "Making Love" tem uma produção mais 'despida', uma batida viciante e é interpretada de uma forma cativante do primeiro ao último segundo. A interpretação da cantora é para lá de sensual como só a mesma sabe fazer. Um dos melhores momentos deste disco e uma das suas melhores produções de sempre.




5. "Stuck On You"


Se 'Stuck On You' não for a irmã desaparecida de 'Love Sex Magic' mais nenhuma é! Só falta mesmo Justin Timberlake aqui para ser um caso de irmãs gémeas separadas à nascença. Desde os vocais da cantora à forma como interpreta a canção e até ao seu instrumental, tudo soa a 'Magic' nesta 'Stuck On You'. É mais um exemplo da falta de inspiração da cantora e da sua equipa aquando da produção deste disco. 






6. "Fly"

Se os Estados Unidos produzisse um festival ao estilo da Eurovisão, "Fly" seria a música escolhida e Ciara a intérprete. Mais uma música sem inspiração e com uma letra cliché onde a cantora fala de uma relação falhada onde o seu parceiro deveria 'voar'. O único ponto positivo é mesmo a voz da cantora que nesta canção prova estar ao mais alto nível. 





7. "I Bet"

O primeiro avanço deste disco e que todos já conhecem é então esta balada autobiográfica 'I Bet'. Não há dúvida que este é um dos momentos mais fortes deste material e uma excelente produção e interpretação por parte da cantora, contudo foi uma má escolha para single de avanço e que pode ter comprometido toda a promoção deste material, que necessitava de um single de avanço com mais força para conseguir vencer nas tabelas de vendas. É caso para dizer que a pressa da cantora em 'lavar roupa suja' e em mandar recados ao seu ex-namorado pode ter custado mais uma vez o seu regresso triunfante que pode não acontecer...uma vez mais. Nós apostamos que a cantora já estará algo arrependida deste lançamento.




8. "Give Me Love"

E voltamos às produções de Dr. Luke e ao mais alto nível. 'Give Me Love' já escolhida como 2º single é sem dúvida um dos momentos mais viciantes de todo o disco e não poderia deixar de ser lançada como single, principalmente no mercado europeu onde o estilo de dança EDM continua a ser um dos mais fortes neste momento. Contudo, não podemos deixar de frisar que 'Love' poderia ser cantada por qualquer outra cantora POP neste momento e não acrescenta nada de novo à carreira de Ciara a não ser a sua notória cedência aos apelos da editora e do mercado por lançar algo mais comercial mesmo que isso implique que perca a sua 'alma' enquanto artista. 




9. "Kiss & Tell"

Tal como 'Give Me Love' e ao contrário de 'Dance Like We're Making Love', Dr. Luke resolveu produzir algo mais comercial talvez na tentativa de criar sucessos para a cantora independentemente da sua sonoridade. 'Kiss & Tell' é por isso mais uma excelente canção e uma das melhores do disco, mas uma vez mais peca pela falta de originalidade, desde a letra, à interpretação e até à sua sonoridade. Se este fosse o disco de estreia da cantora e se estivéssemos em 2005 estas músicas seriam suficientes para colocar a artista no topo, mas estando nós em 2015 e sendo este o 6º trabalho da cantora músicas como 'Kiss & Tell' soam a amadoras.




10. "One Woman Army"

Ao estilo de 'Run the World (Girls)' Ciara mostra todo a sua agressividade, feminismo e ainda como produzir uma canção com as batidas mais viciantes de sempre, capazes de tirar qualquer um do seu lugar para dançar esta canção. Já imaginamos um vídeo para esta canção com uma grande coreografia como só Ciara pode produzir. Um dos melhores momentos deste material e um single obrigatório.






11. "I Got You"

'I Got You' composta pela grande Diane Warren é dedicada por Ciara ao seu filho, fruto da relação com o rapper Future. Não há muito a dizer sobre esta canção, pois qualquer recente mãe gosta de dedicar uma música ao seu rebento, ao estilo do que fizeram Beyoncé e Shakira (por exemplo) nos seus discos homónimos com 'Blue' e 'The OneThing' respectivamente. Um momento delicioso e despretensioso que merece estar neste disco nem que seja pelo video enternecedor que Ciara decidiu partilhar com o mundo.




12. "All Good"

Já na versão deluxe do disco, temos esta 'All Good' mais uma das dezenas de canções dançantes da cantora sobre viver e aproveitar o que a vida tem para nos dar. Mais um momento com uma letra cliché, produção datada e que ficaria facilmente de fora deste material. Ninguém daria pela sua falta. Irónico que seja uma música com o título 'All Good' a relembrar-nos que neste disco nem tudo é bom...






13. "Only One"

Ciara não é conhecida por ter muitas baladas, mas 'Only One' prova finalmente que a cantora também pode ser bem sucedida neste registo mais calmo. Embora estejamos habituados a ouvir a cantora reinar nas pistas de dança, esta 'One' é uma agradável surpresa e conseguimos perceber na interpretação de Ciara que esta é mesmo uma música especial para si e por consequente para nós também. Um dos raros momentos genuínos neste material.





Será então este o disco capaz de reafirmar o nome CIARA como um dos nomes mais poderosos da música actualmente ou por outro lado manterá a americana nas sombras de outros artistas?

Começamos a nossa crítica com esta pergunta e a resposta é óbvia. Infelizmente é não! Parece que a cantora continuará mesmo na sombra de outros artistas e somará assim o seu 4º lançamento consecutivo mal sucedido o que para uma carreira pode ser determinante. As editoras não apostarão eternamente num artista que os faz perder dinheiro pelo que é urgente que algo aconteça na carreira de uma das artistas mais promissoras da nossa geração.

Ciara começou por nos prometer o álbum mais pessoal da sua carreira mas enganou-nos! Apenas 'I Bet' e 'I Got You' soam 'pessoais' pois temos um disco quase na sua totalidade produzido de uma forma datada, genérica e soando até a algo desesperado.

Embora hajam alguns momentos verdadeiramente bons, eles não são suficientes para carregar uma carreira inteira que vem perdendo força ao longo dos últimos anos e talvez por isso o disco tenha estreado na 25º posição na Billboard com pouco mais de 19.000 unidades vendidas, a pior estreia da sua carreira até hoje. 

Para se ter uma ideia, em Portugal, ainda que raramente, existem artistas que na primeira semana fazem números superiores aos alcançados por Ciara num país como os Estados Unidos.

Se 'Ciara' em 2013 com a sua genuinidade e força prometeu, 'Jackie' em 2015 que peca pela sua artificialidade, acabou por provar que tudo não passou de uma promessa para uma das carreiras que já soma mais fracassos no universo da música nos últimos anos!

Haverá salvação para a carreira de Ciara

Relembremos os seus tempos áureos e acreditemos que o seu regresso triunfante possa estar eminente.



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