Review: "Emotion" by Carly Rae Jepsen


Carly Rae Jepsen.

Este é um nome comprido, algo difícil de memorizar mas é sobretudo um nome cada vez mais reconhecido na indústria da música.

Com 29 anos. oriunda do Canadá, esta jovem artista nunca imaginou o trajecto que a sua carreira viria a ter a nível global. 

Tudo começa no concurso Ídolos na sua terra natal, onde acaba em terceiro lugar, mas o que poderia significar um fim, tornou-se na realidade num novo começo.

Depois da sua participação no concurso decidiu lançar de forma independente o seu disco de estreia 'Thug Of War', que não teve o desempenho comercial desejado e apenas 3 anos depois, em 2012 , uma música acaba por mudar por completo a vida de Carly Rae Jepsen.

Falamos obviamente de 'Call Me Maybe' que fez parte do EP da cantora 'Curiosity', e que se tornou num enorme sucesso na sua terra natal. O astro Justin Bieber numa visita ao Canadá (também a sua terra natal), ouviu esta canção na rádio e sentiu que era a canção mais 'catchy' alguma vez lançada na história da música e quis de imediato conhecer Carly e consequentemente convenceu os seus empresários e gravadora a distribuírem globalmente a canção.


'Maybe' foi então lançada mundialmente e acredite-se ou não é ainda hoje a canção mais vendida da história (digitalmente) com vendas superiores a 15 milhões de unidades sendo uma das canções mais bem sucedidas de toda a história da música.

Mas como nem todas as histórias tem um final perfeito, Carly teve que enfrentar até aos dias de hoje um síndrome que atormenta a vida de muitos artistas 'One Hit Wonder Syndrome', que é como quem diz o síndrome de conseguir apenas um sucesso na sua carreira.

'This Kiss', 'Curiosity' e 'Tonight I'm Getting Over You' foram tudo tentativas falhadas de dar seguimento ao sucesso de 'Call Me Maybe' e que consequentemente não ajudou o disco de estreia  'Kiss' (lançado a nível mundial) a ser bem sucedido.

Apenas 'Good Time', musica dos Owl City livra a cantora de sofrer deste síndrome de forma permanente, tendo sido um sucesso mas estando longe dos números alcançados por 'Maybe'.


'Emotion', o segundo disco tem por isso a difícil tarefa de uma vez mais tentar lançar de forma definitiva o nome de Carly Rae Jepsen no mercado musical a nível global e livrar a cantora definitivamente do rótulo de ser apenas 'aquela que canta Call Me Maybe'.

E agora a pergunta que se coloca é a seguinte...

Será 'Emotion' a cura para o síndrome da cantora de 'Curiosity' ou terá que a cantora contentar-se com o rótulo que lhe foi colocado eternamente?

Vamos então conhecer faixa a faixa deste 'Emotion'.


1. 'Run Away With Me'


'Run Away With Me' é o motivo para esta critica ter acontecido. É a responsável pelo mundo voltar a ter interesse no trabalho desta cantora que não deve de forma nenhuma ser ignorada. A qualidade desta faixa envergonha o single de avanço 'I Really Like You'. Descrevemos esta 'Run' como puro POP, poderosa, catchy e épica e um dos melhores lançamentos do ano. Pode não ser a salvadora da carreira da artista, mas é na nossa opinião a melhor canção de todo o seu reportório e sem dúvida que nos deixa com vontade de correr junto de Carly Rae Jepsen. Com 'Run Away With Me' fica claro que a viagem por este disco será atribulada mas feliz! 'Emotion' promete!



2. 'E.MO.TION'


Inspirado pelo POP oitocentista, a faixa título é também um dos pontos altos deste material. O refrão é de fácil memória e a performance vocal da cantora faz-nos lembrar as divas dos anos 80, principalmente Cyndi Lauper e esta é a magia desta canção, a de nos fazer viajar no tempo. Começamos a correr junto da cantora e já estamos com as emoções à flor da pele. Segurem-se, pois a viagem vai continuar.


3. 'I Really Like You'


'I Really Really Really Really Like You' já todos nós conhecemos! A canção tinha um objectivo. Ser a nova 'Call Me Maybe', só que não foi. Foi uma forma pouco inteligente de começar este disco e até algo desesperada. Desde a letra, uma vez mais infantil e desajustada à idade e maturidade musical de Carly, até ao vídeo que traz de novo Justin Bieber, tudo nos pareceu demasiado fabricado e talvez por isso os resultados não tenham sido os melhores. Esta música fez-nos temer que um novo 'Kiss' estivesse a caminho e que mais uma vez a cantora estivesse a tentar recriar-se a si mesma em vez de se afirmar musicalmente. Contudo, nem tudo é negativo e há algo inegável, esta canção fica mesmo nas nossas cabeças...! Mas continuemos...com amor, muito amor.



3. 'Gimmie Love'


Mais uma vez inspirada pela POP oitocentista e no amor, Carly mostra-nos uma vez mais a direcção tomada para este novo trabalho, a de revisitar os anos 80 dando-lhe uma nova roupagem e o resultado não poderia ter sido melhor. Não é o momento mais inspirado do disco mas continua a alimentar a nossa curiosidade para ouvir o que ainda vem por ai.




5. 'All That'


Doce. É assim que podemos descrever mais uma produção puramente POP, presente em 'Emotion'. 'All That' é suave, é sensual e uma das melhores produções de todo o material. Desde a percussão aos sintetizadores até à performance vocal da artista, tudo soa uma vez mais aos anos 80 e transporta-nos para um lugar onde nos sentimos muito bem em estar. Parece mesmo que estamos a assistir a um filme antigo onde Roxette apresenta um dos seus temas românticos no final do mesmo.  Afinal nada melhor do que a música para nos fazer viajar no tempo...



6. 'Boy Problems'


Digam lá que esta composição de Sia e produção de Greg Krustin não faz lembrar logo ao primeiro segundo da famosa 'Treasure' de Bruno Mars? Comparações à parte, este é um dos momentos mais interessantes de todo o material. Cheira-nos a futuro single e é uma das maiores surpresas de todo o material quer pela sua originalidade quer pelo apelo comercial que tem sem soar desesperada como o single 'I Really Like You'. Sem dúvida uma das melhores faixas presentes em 'Emotion'.




7. 'Making the Most of the Night'


Mais uma composição de Sia e que desta vez peca por soar demasiado a um trabalho da compositora australiana ao contrário de 'Boy Problems'. Mesmo com a comparação óbvia não deixa de ser uma canção POP poderosa e teatral como tão bem Sia sabe construir e Carly soube interpretar. Uma composição inteligente, uma performance vocal viciante e que resultou num dos momentos mais fortes e intrigantes de todo o material.




8. 'Your Type'


Preparados para um dos momentos mais electrónicos, actuais e viciantes de todo este disco? 'Your Type' vai mesmo fazer o vosso tipo, pois não mais a vão conseguir tirar das vossas cabeças durante horas. Talvez a única critica que possamos fazer é a sua composição algo infantil ao estilo de 'Call Me Maybe' e 'I Really Like You'. Esta música embora continue a abraçar elementos dos anos 80 é uma das faixas que soa mais actual e que poderia facilmente ter feito parte do disco de estreia de Carly, 'Kiss'.




9. 'Let's Get Lost'


Vamo-nos perder nesta 'Let's Get Lost'. Mais uma faixa puramente POP e infantil como tão bem esta intérprete sabe fazer. Poderia facilmente ter feito parte do álbum de estreia de Britney Spears, mas está mesmo em 'Emotion', um disco lançado em 2015. Pode não ser a melhor música do material mas merece o lugar de destaque que tem no mesmo. Sentem-se perdidos nesta viagem? Preparem-se então para ficarem completamente alucinados.





10. 'LA Hallucinations'


Esta alucinada 'Hallucinations' não é mais que isso...um delírio de Carly Rae Jepsen e que facilmente poderia ter ficado de fora deste material. É uma canção com algum apelo comercial mas que se acaba por perder pelo excesso de informação que contém numa só canção. Acaba por não existir um ponto alto, o chamado 'climax musical'. Destaque apenas para a produção e instrumental altamente electrónico, diríamos até psicadélico. 




11. 'Warm Blood'


'Warm Blood' é uma faixa mais 'obscura' que o restante material. É apontada por Carly como uma das suas favoritas e talvez por isso tenha obtido destaque neste disco, algo que não merecia, uma vez que não é comparável aos pontos altos deste disco. Por vezes faz-nos lembrar 'Living For Love' de Madonna numa versão mais desacelerada e menos produzida. Não traz nada de novo a este disco, não deixando porém de ser um momento a ter em conta pois vemos uma vez mais a cantora de 'Good Time' a sair um pouco da sua zona de conforto.




12. 'When I Needed You'


E chegamos ao momento verdadeiramente Madonna (Anos 80). Teatral, infantil, cliché até.... assim é 'When I Needed You'. Um momento puramente POP e despretensioso mas que nos faz sentir alguma desilusão depois de ouvirmos um disco tão consistente e surpreendente. Sendo esta a última faixa da versão 'standard' do disco, sentimos que o mesmo merecia ser encerrado da mesma forma que começou. De uma forma épica...




13. 'Black Heart'


Já na versão 'deluxe' deste disco temos a electrizante 'Black Heart'. Lembra em muito o trabalho da banda electrónica La Roux. Com uma produção simples mas original, esta 'Heart' merecia estar na versão principal do disco. Mais uma canção que não esperávamos ouvir Carly Rae Jepsen interpretar mas que acaba por nos surpreender pela positiva.





14. 'I Didn't Just Come Here to Dance'


Mais um momento puramente electrónico e mais actual que a maioria das canções presentes em 'Emotion'. Soa em muito ao trabalho criado por Diplo para 'Rebel Heart' de Madonna. O resultado final é positivo e também merecia ter mais destaque neste material em detrimento de canções como 'LA Hallucionations'.




15. 'Favourite Colour' 


E a última canção presente na versão ´deluxe' de 'Emotion' é esta deliciosa 'Colour'. É uma interpretação doce de Carly Rae Jepsen totalmente despretensiosa e que está bem onde está, como faixa bónus de um material cheio de momentos altos que fazem de 'Colour' menos 'colorida' mas ainda assim necessária para completar o arco-íris que é este 'Emotion'.





16. 'Never Get to Hold You'


Japão é o único país onde o disco já foi lançado e tem ainda a sorte de ter faixas exclusivas, entre elas esta 'Never Get to Hold You'. Esta balada electrónica é na verdade uma das melhores canções do disco. Diríamos que é uma prima em 1º grau da quase perfeita 'All That', faltando-lhe apenas alguma alma, mas tendo exactamente os mesmos ingredientes para ficarmos completamente apaixonados pelo novo trabalho da canadiana.





17. 'Love Again'


Impressionante como uma versão exclusiva deste CD inclui duas das melhores músicas de todo o material. 'Love Again' tem todos os ingredientes para ser um single de sucesso. Desde a sua composição encorajadora, ao seu apelo comercial a música é uma das mais memoráveis de todo o material, mas inexplicavelmente estará apenas disponível na versão japonesa de 'Emotion'. Esperamos que 'Love Again' ganhe vida e 'obrigue' a cantora e a sua equipa a promove-la como ela merece. Esta canção é um dos motivos par amar-mos novamente esta artista.





Será 'Emotion' a cura para o síndrome da cantora de 'Curiosity' ou terá que a cantora contentar-se com o rótulo que lhe foi colocado eternamente?
Esta foi a pergunta que colocámos no inicio da nossa 'review' e a resposta é ainda incerta.

Com 'I Really Like You' tememos o pior, pois embora a cantora nos lembrasse todos os dias repetidamente que deveríamos gostar muito dela, tudo o que víamos era um movimento desesperado de se recriar a si mesma e tentar repetir uma fórmula datada e que em nada se enquadra na idade e maturidade artística que Carly tem obrigação de ter. 

Mas depois surge 'Run Away With Me', um dos momentos mais interessantes de todo o ano de 2015 e mostra-nos que valia a pena ouvir este não muito aguardado, mas intrigante 'Emotion'.


'Call Me Maybe' como já referimos foi certamente um sonho tornado realidade para Carly Rae Jepsen, mas hoje deve ser o seu maior pesadelo, uma vez que a cantora tem uma carreira inteiramente reduzida a uma canção e desvincular-se de uma música com mais de 700 milhões de visualizações no Youtube e com mais de 15 milhões de cópias vendidas mundialmente pode ser uma missão quase impossível.

No entanto, em 'Emotion' a cantora surpreende tudo e todos por criar um disco com alma, mais maduro que o seu antecessor e sobretudo consistente, abraçando sem medos o POP oitocentista e desprendendo-se da imagem da menina de 'Call Me Maybe' de uma forma quase perfeita.


O saxofone de 'Run Away With Me' anuncia imediatamente desde o primeiro segundo, que este disco tem algo de especial que não deve ser ignorado.

A maior revelação e surpresa neste material é que a cantora de 'This Kiss' liberta-se dos truques baratos e fabricados abraçando finalmente uma sonoridade mais genuína e madura, soando finalmente despretensiosa e encontrando o seu lugar no mercado musical, algo que muitos artistas mesmo com múltiplos lançamentos ainda estão em busca e não encontram.


A cantora soube munir-se dos melhores produtores e compositores da actualidade, entre eles Max Martin, Shellback, Sia, Greg Krustin entre muitos outros. Ao mesmo tempo, a artista recrutou uma equipa de produtores mais alternativos mas que ajudaram a produzir um som distinto e que nos fez viajar no tempo, algo cada vez mais raro nos dias de hoje uma vez que os artistas acabam por ceder às tendências actuais sem arriscarem revisitar momentos de glória da história da música como tão bem soube fazer Carly Rae Jepsen. A cantora equilibrou de uma forma sublime o antigo e o actual de uma maneira muito harmoniosa e agradável de descobrir.


Jepsen, provou com este disco ser uma artista muito inteligente e que não teve apenas um momento de sorte ao criar a irritante mas eterna 'Call Me Maybe', pois provou com 'Emotion' ser capaz de muito mais - produzindo um dos álbuns mais consistentes e interessantes de serem descobertos em 2015.

É como se a nostalgia do que melhor foi feito na música POP fosse colmatada com este 'Emotion' que de facto nos provoca muitas emoções boas ao ouvi-lo e sobretudo descobri-lo, pois este não é daqueles discos que se vá amar desde a primeira audição - será necessário descobri-lo e redescobri-lo até se perceber o seu real intuito.

Não sabemos ainda se o disco conseguirá livrar Carly do síndrome de ser apenas mais uma 'One Hit Wonder', mas conseguiu já o mais importante....

...provar que Carly Rae Jepsen é muito mais do que apenas a mulher com cara de menina que canta 'Call Me Maybe'.

Todos os 'maybes' criados desde o começo da sua carreira se tornam certezas agora e mesmo que a intérprete de 'Tonight I'm Getting Over You' não consiga alcançar o sucesso comercial ambicionado, pelo menos já conseguiu conquistar o seu lugar e respeito de todos nós enquanto artista.

É caso para dizer que gostamos mesmo mesmo mesmo mesmo da Carly Rae Jepsen.


HOS Rating: 70/100

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