[Review] "Revival" by Selena Gomez


O renascimento de Selena Gomez.

'Revival' é um nome improvável para um disco de uma cantora com apenas 23 anos, mas não nos podemos esquecer que este é já o 5º álbum de originais da cantora de 'Love You Like a Love Song".

Terminado o contrato com a gravadora 'Hollywood Records' (Disney), a 'Interscope' deu uma nova chance a esta cantora de ressurgir no mercado.

Será que irá conseguir fazê-lo?


É inevitável evitar comparações entre as suas colegas da DISNEY que também se tornaram sucessos em nome próprio, mas em que Selena se tem distanciado em todos os sentidos.

Miley Cyrus mesmo com altos e baixos na sua carreira, está já numa liga completamente diferente, ao ter vendido mais de 50 milhões de discos/singles. Depois, Ariana Grande chegou, viu e venceu e Demi por seu turno, encontrou e estabeleceu-se no mercado sem grandes oscilações em termos de números.

Quanto a Selena, precisa urgentemente de um renascimento, uma vez que embora seja um dos nomes mais comentados dos últimos anos, o interesse pela sua pessoa, tem ofuscado o interesse pela sua música.



Desde o primeiro disco com a banda The Scene, 'Kiss & Tell' (2009) até ao 'Stars Dance' (2013) que as vendas têm vindo a decrescer, tendo este último vendido apenas 400.000 exemplares nos Estados Unidos, não tendo conseguido alcançar qualquer certificação.

Contudo, nem tudo são pontos negativos, desde 2013 a cantora conseguiu lançar os maiores singles de sucesso da sua carreira, primeiro com 'Come & Get It', depois 'The Heart Wants What It Wants' e mais recentemente 'Good for You' que finalmente conseguiu colocar a cantora no top 5 da Billboard Hot 100, algo que por exemplo Demi Lovato nunca conseguiu alcançar.

Esta irregularidade na carreira de Selena é um reflexo também da sua música. Além de não ter o alcance vocal das suas 'rivais' directas, a cantora tende a gravar canções originalmente compostas para outros artistas, fazendo com que a sua música não tenha identidade própria.

Posto isto, talvez seja a única das quatro cantoras mencionadas que até aos dias de hoje ainda não tenha encontrado a sua essência enquanto artista e em que se esteja a verificar um decréscimo de vendas constante desde o seu surgimento no mercado até aos dias de hoje.


Após esta análise é claro porque Selena Gomez chama a este novo disco 'Revival', o seu primeiro trabalho apadrinhado pela importante gravadora 'Interscope' e em que a cantora é a produtora executiva do mesmo. 

Será que estamos então perante o renascimento de Selena Gomez?


1. 'Revival'


'Revival' dá nome ao disco e é o inicio para esta nova era muito aguardada pelos fãs da cantora americana. A mensagem é clara! A cantora está pela primeira vez a seguir os seus instintos. 

O resultado é uma faixa experimental, electrónica, um pouco confusa em termos de produção, mas suficientemente intrigante para fazer com que o ouvinte fique interessado em ouvir o que este material tem para nos apresentar.  




2. 'Kill 'Em With Kindness'


Os habituais colaboradores de Selena, os  Rock Mafia com a ajuda de Benny Blanco (Payphone dos Maroon 5, Circus de Britney Spears), produziram esta 'Kill 'Em With Kindness' que já foi referida pela cantora como uma das suas preferidas em várias entrevistas e provável candidata a novo single de 'Revival'. 

O destaque vai para a composição que incentiva a 'matarmos' os nossos inimigos com bondade. Será que a faceta vingativa de Gomez no vídeo de 'Bad Blood' a ajudou a redimir-se nesta nova canção?

A canção é sem dúvida uma das melhores deste material, sendo actual, viciante e com o melhor refrão auxiliado por assobios desde 'Sparks' de Hilary Duff e 'Ghost Town' de Adam Lambert. Soa ainda a algo que Britney Spears poderia ter lançado.

É caso para dizer que estamos mortos com tanta bondade.




3. 'Hands to Myself'


Max Martin. 

Conhecem muitos momentos em que um dos maiores produtores de todos os tempos tenha feito algo de errado com algum artista com quem tenha colaborado? Desta vez não foi excepção, Max Martin ajudou na produção de uma das melhores canções de todo o material.

'Hands to Myself' é uma das canções mais viciantes de 'Revival' e uma das melhores produções de toda a carreira de Selena. 

A sonoridade é algo semelhante ao que Robin Thicke adoptou nos últimos anos com músicas como 'Blurred Lines' e que faz com que esta 'Hands to Myself' soe mais a uma produção de Pharrell Williams, do que de Martin.

Não se admirem se esta 'Myself' se tornar num dos maiores sucessos da carreira de Selena Gomez.




4. 'Same Old Love'


'Same Old Love' é sem dúvida uma faixa viciante e com potencial para ser single, mas com músicas como 'Hands to Myself' e 'Kill 'em With Kindness' presentes em 'Revival' esta é uma péssima escolha para segundo single após o grande sucesso de 'Good for You'.

Co-escrita com Charli XCX, e com 'backing-vocals' da mesma, esta canção faz com que pensemos estar a ouvir o novo single de XCX ao invés de Selena e isto não é um elogio para uma cantora que ainda não encontrou a sua essência musical.

São canções como 'Same Old Love' que continuam a impedir Selena de se afirmar musicalmente, contudo este não deixa de ser um dos pontos altos deste material.



5. 'Sober'


Com uma composição ao estilo de 'Call Me When You're Sober' dos Evanescence, esta 'Sober' produzida por Stargate (Irreplaceable de Beyoncé, Come & Get It da própria Selena) é uma das melhores músicas de 'Revival'.

A sua produção concebida para as rádios e a interpretação convincente de Selena faz de 'Sober' uma forte candidata a futuro lançamento, sendo elogiada por críticos e até colegas de profissão como Kelly Clarkson.




6. 'Good for You' (ft: A$AP Rocky)


'Good for You' não só é a melhor música deste disco, como é também o melhor lançamento da carreira de Selena e ainda uma das músicas do ano...se não mesmo A música do ano.

A música originalmente concebida para ser apenas um 'buzz single' acabou por ser convertida no primeiro single oficial de 'Revival' graças ao sucesso da mesma que se encontra há meses consecutivos no top 10 da Billboard Hot 100.

A canção é desde a produção até à interpretação sensual sem se deixar influenciar pela 'vulgaridade' e marca um ponto de viragem na carreira desta cantora que até aqui pouco tinha arriscado.

Pode dizer-se com segurança que existia uma Selena antes de 'Good for You' e depois deste lançamento, existe uma outra cantora - mais segura, desafiante e perto de alcançar o que nunca alcançou até aos dias de hoje - a sua afirmação musical.



7. 'Camouflage'


Pensam que as coisas vão arrefecer depois de 'Good for You? Nem pensar. 

'Camouflage' é outro ponto de viragem na carreira de Gomez. Esta é uma das únicas grandes baladas de toda a sua carreira e a sua melhor performance vocal até aos dias de hoje.

Esta balada apenas auxiliada pelo piano vem mostrar que além da sua sonoridade a cantora procura também pela essência da sua voz, deixando cada vez mais de se camuflar e o resultado não podia ser melhor.




8. 'Me & The Rhythm'


Enquanto o seu eterno ex-namorado Justin Bieber só necessita de uma 'Beauty and a Beat', Selena só necessita mesmo dela e de ritmo!

'Me & The Rhythm' é a óbvia ponte entre 'Stars Dance' (2013) e 'Revival' (2015), uma vez que é a musica que mais se associa aos seus antigos trabalhos sem deixar de ter um apelo comercial e actual. 

Esta produção do duo sueco Mattman & Robin (All You Had To Do Was Stay, Taylor Swift), não é a melhor deste disco mas também não faz com que o mesmo perca o seu interesse.

O segredo é deixar-nos levar pelo ritmo.



9. 'Survivors'


E o dono dos melhores momentos no disco de Demi Lovato'Confident', também está presente em 'Revival'. 

Steve Mac ('Lionheart', 'Kingdom Come' de Demi Lovato), é o responsável por esta 'Survivors' que ao estilo de 'Roar' poderia ser uma das novas músicas motivacionais de Katy Perry.

Há algo misterioso e até tribal na produção e interpretação desta canção que merece o lugar de destaque neste material mesmo estando longe de ser um dos melhores momentos.




10. 'Body Heat'


E Selena Gomez decidiu também abraçar as suas raízes latinas com 'Body Heat', o resultado é uma canção divertida, e muito semelhante a algo que Jennifer Lopez pudesse lançar.

As batidas frenéticas e o ritmo latino fazem desta canção algo novo na carreira da cantora ainda que soe pouco genuíno e até algo fora de contexto em 'Revival'.




11. 'Rise'


'Rise' encerra a versão 'standard' deste disco.

Esta canção tem também uma atmosfera tribal assim como 'Survivors' e foi uma má escolha para encerrar o disco, podendo facilmente fazer parte de outras versões deste material, dando lugar a outras canções nesta versão 'principal' de 'Revival'.

Não acrescenta nada de novo a este disco e é uma canção facilmente esquecida após uma audição.




12. 'Me & My Girls'


E chegamos à versão 'deluxe' deste material com a electrizante e latina 'Me & My Girls'.

Parece que o mercado latino foi mesmo uma aposta da cantora para esta nova fase da sua carreira e 'My Girls' aposta neste mercado com ainda mais eficácia do que 'Body Heat'.

Esta faixa poderia facilmente fazer parte do disco de retorno das The Pussycat Dolls ou de qualquer outra banda feminina dado o seu poderoso refrão feminista.

'Girls' é sem dúvida uma das canções mais memoráveis de todo o material e merecia um lugar de maior destaque, estando presente na versão 'standard' do disco.




13. 'Nobody'


Nick Monson, co-produtor de 'Good for You', assina também esta 'Nobody' e talvez por isso tenhamos a sensualidade e confiança de volta nesta romântica 'Nobody'.

Esta é sem dúvida uma das melhores faixas do disco e deveria estar presente na versão 'standard' em vez de faixas como 'Rise'.

Monson, assinou apenas 'Good for You' e 'Nobody', e tendo ambas tanta qualidade, perguntamos como teria ficado o álbum se Selena tivesse apostado mais neste produtor? 




14. 'Perfect'


'Perfect' continua a 'onda' de composições submissas que Selena Gomez gosta de apresentar para os homens da sua vida. Exemplos disso são 'Come & Get It', 'Good for You' e a obsessiva 'Perfect'.

É uma excelente música POP melancólica que se assemelha a algo que Lana Del Rey poderia lançar e que só peca por não ser muito apelativa a nível comercial.




15. 'Outta My Hands (Loco)'


'Outta My Hands' está definitivamente no disco errado! Além de soar completamente fora de contexto não entendemos como a mesma tem sequer lugar num disco, mesmo que seja só numa versão especial do mesmo.

Soa a algo que Pitbull pudesse explorar no início da sua carreira com alguma cantora latina. 

Como está fora das nossas mãos retirar esta música da lista das canções de 'Revival' resta-nos conhecer a próxima canção.




16. 'Cologne'


E a última canção presente em 'Revival' é mais uma produção de Stargate e embora seja um pouco genérica é suficientemente boa para estar presente neste disco e merecia também um lugar de maior destaque que não apenas numa versão especial deste disco.

Esta canção é como que uma carta de amor que poderia facilmente ter feito parte dos álbuns a solo de Nicole Scherzinger, fazendo lembrar muitas vezes a ex-vocalista das PCD aquando da sua audição.

Destaque ainda para a voz de Selena que embora ajudada pelos efeitos de estúdio está mais uma vez num registo nunca antes explorado pela artista.






No inicio desta 'review' foi então colocada a questão se estaríamos perante o renascimento de Selena Gomez.

Na sua canção 'Revival'. Selena diz-nos algo como:
Estou a renascer em todos os momentos, por isso quem sabe no que me tornarei?
E esta sim é a pergunta central deste disco. De facto vemos a cantora de 'Slow Down' a renascer e a encontrar-se como nunca antes visto ao longo da sua carreira, por isso chamar este disco de 'Revival' não é um exagero - faz todo o sentido.

Esta é a fase em que Selena Gomez passa definitivamente (ou deve passar) de uma menina adolescente, para uma fase mais adulta e isso deve refletir-se na sua música. A cantora não se pode esquecer que os seus fãs estão a crescer consigo e novos fãs devem surgir nesta nova fase. 

'Good for You' foi a forma mais inteligente de fazer a ponte entre estes dois mundos, uma vez que tem qualidade suficiente para manter os seus fãs mais fiéis e ainda angariar novos que prestarão atenção a esta nova Selena, pronta a arriscar e dominar o mercado musical.


Selena, como já foi referido, não tem uma potencia vocal que lhe permita muito mais do que ser uma cantora POP, logo, - ao contrário de Demi Lovato (por exemplo), que em 'Confident' pode explorar vários géneros musicais, devido à sua versatilidade e poder vocal, - terá de se adaptar ao instrumento vocal que possui.

E o que há de errado em ser uma cantora predominantemente POP? E o que há de errado, em lançar canções como 'Good for You' em que não se precisa de grandes refrões e/ou explosões vocais para ser um grande sucesso?

Vale lembrar que duas das maiores estrelas POP, Madonna e Britney Spears não têm o alcance vocal de muitas das suas colegas de profissão do seu tempo (Whitney Houston, Celine Dion, Christina Aguilera, por exemplo) e isso não as impediu de terem duas das mais bem sucedidas carreiras de sempre da história da música.


Com 'Revival' Selena mostra pela primeira vez que se despiu de preconceitos e encontrou uma sonoridade em que a sua voz encaixa na perfeição e que pode explorar no futuro, pois se há cantora que tem todos os ingredientes para ser um sucesso, essa cantora é Selena Gomez.

Músicas como 'Kill 'em With Kindness', 'Hands to Myself', 'Good for You', 'Camouflage', 'Nobody' e 'Sober' mostram que Selena se pode tornar numa das melhores estrelas puramente POP dos nossos tempos. 

Embora este seja um dos melhores lançamentos do ano, e o melhor disco da carreira da cantora, é de salientar que 'Revival' ainda não é a obra-prima de Gomez.

Este disco está para a sua carreira como 'Unbroken' esteve para Demi Lovato em 2011, ou seja a fase em que a cantora se começa a encontrar e a definir enquanto artista embora ainda tenha alguns reflexos da imaturidade musical do seu passado que naturalmente continua a influenciar os seus lançamentos presentes.

'Revival' não é por isso O disco que define para sempre a carreira desta artista, é sim o ponto de viragem para a sua carreira e fará a perfeita ponte entre o seu renascimento presente e o que ainda estará para surgir no futuro aquando do seu crescimento pessoal e artístico.


HOS RATING: 70/100

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