Review: "Sucker" by Charli XCX


Charli XCX um nome até há bem pouco tempo desconhecido por muitos, mas que sem aviso prévio acaba por invadir o mundo, primeiro como assistente e agora em nome próprio.

"I Love It" das Icona Pop marca o começo de uma nova era tanto para o duo sueco como para a britânica Charli que ao emprestar a sua voz a um dos refrões mais catchy dos últimos anos fez com que os holofotes ficassem todos virados para si. 

A afirmação verdadeira, surge no entanto com "Fancy" o primeiro grande hit à escala mundial de Iggy Azalea e que mais uma vez contava com um refrão inesquecível e auxiliado por XCX


E quando todos já apontavam a cantora de "Break The Rules" como apenas uma participante nos sucessos de outros artistas, "Boom Clap" vem calar as más línguas e torna-se num dos maiores hits de verão sendo a sua afirmação a solo.

De realçar que a cantora não é nova no mercado tendo já lançado "True Romance", o seu disco de estreia mas que com a sua sonoridade alternativa passou despercebido entre tantos outros nomes alternativos que surgiam no mercado.



No entanto este romance verdadeiro que foi o seu 1º álbum seria só um aperitivo para o casamento para a vida que se virá a tornar o seu novo disco, "Sucker", pois este novo trabalho está engenhosamente criado para tornar esta cantora de 22 anos numa verdadeira estrela mundial em nome próprio. 

Não acreditam? Então viagem connosco pelo maravilhoso mundo de Charli XCX em "Sucker".

1. "Sucker"

Com a faixa titulo e com a maravilhosa frase inicial "fuck you...sucker", começa a nossa viagem. Agressiva, carregada de personalidade e viciante, assim é a faixa de abertura e que ditará o caminho de todo este disco que promete agitar o mercado da POP.




2. "Break The Rules"

Começando pela letra, não é uma boa influência para os jovens nem tão pouco uma letra madura, mas quem disse que Charli XCX queria ser uma influência, ou agradar aos demais? Esta não será certamente a música preferida dos pais que rapidamente se arrependerão de comprar este disco para os seus filhos, no entanto, esta é uma das canções mais geniais de todo o CD. As influências do Rock estão exploradas nesta canção, ainda que no refrão sejamos surpreendidos com um instrumental totalmente electrónico.  Esta fusão de géneros funciona na perfeição e a força desta música faz-nos a todos ter vontade de quebrar as regras a que somos impostos, afinal...as mesmas também foram feitas para serem quebradas.




3. "London Queen"


Os sucessos "I Love It", "Fancy" e "Boom Clap" todos eles com vendas altíssimas nos Estados Unidos, fizeram deste país a segunda casa de Charli XCX que deixou assim a sua terra natal para viver o seu sonho americano e é disso mesmo que fala a letra de "London Queen". Mais uma vez influenciada pelo rock e pelo "new wave" este é um dos pontos altos do disco e que não passará despercebido.




4. "Breaking Up"

Um álbum sem uma música sobre fins de relacionamentos amorosos não é um álbum mas desengane-se quem pensa que a cantora se tornará dramática nesta canção. "Breaking Up" é na realidade uma celebração ao fim de uma relação disfuncional. Nós já tínhamos avisado que XCX não queria ser politicamente correcta. Falando da sonoridade de "Breaking Up" é agressiva, crua, fria e carregada de elementos de rock e electrónica como só a cantora sabe difundir na perfeição. Esta será um futuro single certeiro.





5. "Gold Coins"

Agora viramo-nos mais para o POP com "Gold Coins". Ao estilo de "Fancy" a letra é fútil e mais uma vez  despretensiosa.  Esta foi construída para funcionar bem nas rádios e marca uma enorme transformação entre o disco de estreia e as suas novas canções, mas não há pelo que reclamar pois é com esta nova sonoridade POP que Charli está prestes a conquistar o mundo. 



6. "Boom Clap"

A transição do "Indie" ao "Pop" ficou confirmada com o lançamento do 1º single deste disco, "Boom Clap". Esta era a canção que nunca esperaríamos ouvir Charli interpretar, seja pela sua sonoridade totalmente POP genérica ou pela letra apaixonada e até algo infantil. "Clap" foi pensada para o retorno de Hilary Duff, mas felizmente para XCX a faixa ficou para si e ajudou-a a afirmar-se a solo como uma das cantoras mais populares do momento.




7. "Doing It"

Deixando mais uma vez um pouco de lado o rock e abraçando de vez os sintetizadores, aqui Charli tem o momento mais POP e electrónico de todo o disco. É talvez a faixa com menos personalidade de todo o disco e que a faz soar a outros artistas pop do momento como Katy Perry ou a sueca Robyn. Por outro lado esta é talvez a faixa com mais potencial, depois de "Boom Clap" para se tornar no seu novo sucesso mundial e talvez por isso já tenha sido anunciada como novo single e para ajudar ao sucesso do mesmo contará com os vocais de Rita Ora. Um dos pontos altos do disco mesmo que não seja o mais honesto e inovador.



8. "Body Of My Own"

Basicamente, o que diz a letra de "My Own" é que Charli XCX não precisa de nenhum homem para ter prazer, uma vez que tem o prazer que necessita nas suas mãos. Voltando de novo o Punk-Rock,  sendo ao mesmo tempo pop "Body Of My Own" é mais uma daquelas músicas que aborda um tema tabu e que colocará mais uma vez os pais das crianças que ouvirem este disco, numa situação desconfortável. Mas se procurarem uma canção inocente neste disco, talvez só devam ouvir "Boom Clap". Só uma compositora de qualidade como é Charli pode abordar este tema de uma forma tão descomplicada e por o mundo a dançar sem se preocupar com a temática da música. Uma música viciante e sobretudo inteligente a todos os níveis.



9. "Famous"

Preparem-se para um daqueles momentos em que colocarão o volume ao máximo e cantarão como se não houvesse amanhã esta "Famous". Greg Krustin (Pink, Lily Allen, Katy Perry), ajudou na produção de uma das canções mais excitantes de todo o disco. O instrumental é extremamente viciante, a letra mais uma vez superficial e que realça o desejo desta cantora em divertir-se num mundo sem regras onde reina o dinheiro e a fama. Quem não ama este mundo e quem não ama este "Famous"? Impossível não amar.




10. "Hanging Around"

E o primeiro momento totalmente Rock, aparece em "Hanging Around" que aqui deixa de abraçar os momentos electrónicos utilizados em quase todas as canções de "Sucker". O poder vocal de Charli XCX é realçado aqui e a sua força enquanto interprete é mais uma vez inegável.




11. "Die Tonight"

E o momento mais lento e calmo do disco chega em "Die Tonight". Mesmo mais lenta não deixa de forma nenhuma a intensidade do disco morrer. Esta é uma produção que se divide entre puro pop e o rock e está meticulosamente construída para também funcionar bem nas rádios. Não é a canção mais excitante de "Sucker" mas o resultado é satisfatório.



12. "Caught In The Middle"

Só temos uma palavra para esta "Caught In The Middle" - Irresistível. Esta é uma canção que literalmente nos apanha de surpresa, tendo uma das melhores letras do disco e a voz da cantora aqui tem um dos momentos mais altos de todo o disco. A sua produção "simples" contrariando os elementos "pesados" em canções como "Breaking Up", "Famous" e "Break The Rules" prende-nos do inicio ao fim e dá um balanço interessante a este disco. 




13. "Need Ur Luv"

E a 13º canção não é um momento de azar para Charli XCX como o nº poderia indicar, é sim o maior momento deste disco, uma vez que "Need Ur Luv" é de longe a melhor faixa presente em "Sucker". Num álbum, todo ele criado em redor de grandes refrões que não mais nos saem da cabeça,"Luv" tem o mérito de ser o mais pegajoso de todo eles. Podem tentar mas esta música não mais vos sairá da cabeça. Embora hajam guitarras, o destaque da sonoridade desta canção vai mesmo para a forte presença de sintetizadores e teclados além do clima desta canção que gira entre o romântico e o dançante provocando um verdadeiro misto de sensações para quem ouve "Need Ur Luv".  Uma música obrigatória e essencial neste disco e futuro sucesso nas tabelas de vendas.




14. "Money (That's What I Want)"

E para encerrar "Sucker" temos esta "Money", que embora não seja uma canção original de Charli, mas sim uma cover de uma canção com o mesmo nome do ano de 1960, imagine-se, enquandra-se perfeitamente na temática e sonoridade deste disco. Aqui a voz da artista fica para segundo plano, dando prioridade às guitarras e sintetizadores. Assim Charli, termina da mesma forma que abriu este disco, com agressividade, garra, despretensão e sobretudo personalidade.



Após toda esta viagem que no fundo é um ponto de viragem na carreira em ascensão de XCX, sentimos que "Sucker" é o seu disco de estreia, mesmo não sendo. Para muitos "True Romance" nunca existiu e para os que existiu, já está esquecido dada a personagem e engenhos criados à volta da cantora e de "Sucker" para o tornar num dos momentos altos do ano.

Talvez a última vez que tenhamos ouvido músicas com tanta personalidade foi com os lançamentos das entretanto esquecidas Avril Lavigne e Gwen Stefani fazendo com que Charli XCX pareça um produto novo no mercado, mesmo que na realidade não o seja.

A sonoridade "punk-rock" das suas canções, aliadas ao pop e electrónica faz da Charli um dos produtos mais excitantes e autênticos dos últimos anos e mesmo não sendo "Sucker" um álbum inovador ou decisivo para o futuro da artista é sem dúvida um grande ponto de partida para o que pode ser uma carreira muito promissora. Esperemos que não seja só uma promessa e que se torne numa certeza.

Por fim, além das músicas carregadas de personalidade, sabemos que a imagem rebelde e destemida da cantora ajuda a vender este disco. Não temos a certeza se esta é mesmo a Charli ou se teve de encarnar uma adolescente revoltada que foi obrigada a criar grandes refrões POP para se tornar bem sucedida, mas mesmo com esta dúvida e partindo do pressuposto de que é uma personagem, então esta é já uma das melhores personagens do ano.


HOS RATING: 90/100

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