Review: "Breathe In. Breathe Out." by Hilary Duff


Inacreditável como se passaram oito anos desde o último trabalho discográfico de...


Hilary Duff

Mas já podem respirar de alívio pois a queridinha dos Estados Unidos está de volta com o sucessor de 'Dignity', o já muito aguardado 'Breathe In. Breathe Out.".

Será que valeu a pena a espera?


'Metamorphosis' em 2003 catapultava a cantora de 'Wake Up' para o estrelato mundial, vendendo só nos Estados Unidos mais de 4 milhões de cópias mas os seus lançamentos posteriores foram fazendo com que a carreira da cantora fosse perdendo alguma relevância.

O que fazer em 2015 e 8 anos depois do último lançamento? Devia ser a pergunta que a cantora mais se fazia a si mesma.

A primeira direcção foi o 'folk/pop' como provam os primeiros lançamentos falhados de 'Chasing the Sun' e 'All About You', mas depois o disco teve que ser refeito numa onda mais comercial e dançante e o resultado, qual terá sido?

Nós vamos responder a isso mesmo, conhecendo todas as canções do disco.

Preparados?

Vamos então conhecer faixa a faixa deste novo material.


1. 'Sparks'

Com a ajuda da já famosa Tove Lo. nasce esta 'Sparks' a escolha natural para single de avanço após duas tentativas anteriores falhadas. Esta é a canção mais comercial do disco e que usa um dos artifícios mais utilizados na música ultimamente, os 'assobios'...que o diga Adam Lambert e o seu também single de retorno 'Ghost Town'. A canção não é inovadora mas merecia ter recebido mais crédito sendo uma das criações POP mais interessantes do ano.






2. 'My Kind'

Qualquer semelhança com um dos últimos lançamentos de Gwen Stefani é pura coincidência...ou não. Esta parece uma das músicas descartadas do último disco de Gwen e aproveitada para 'Breathe Out'. Coincidência ou não esta é uma das faixas mais apelativas do disco e talvez por isso seja apontada como o novo single. Vale a pena escutar.






3. 'One In a Million'

Esta é a faixa preferida da própria Hilary Duff e tem razões para o ser. É talvez o hit mais imediato deste disco e devia ser lançado como single o mais rapidamente possível. É catchy, electrizante, pop, dance...tudo o que precisamos para este verão. É sem dúvida o single que faltou a 'Kiss Me Once' de Kylie Minogue uma vez que soa à diva australiana do primeiro ao último segundo.




4. 'Confetti'

E chegámos a um dos momentos mais 'sem sentido' deste disco a começar pela sua composição adolescente. 'Confetti' está para 'Breathe In. Breathe Out.' como 'Grafitti Heart' para 'Rebel Heart' de Madonna...e não, não é um elogio. Uma música completamente fora de contexto e que envergonha Hilary dada a sua idade e falta de maturidade das suas composições. Será que teve e a ajuda de Carly Rae Jepsen?



5. 'Breathe In. Breathe Out.'

A faixa que dá nome ao disco é o elemento mais electrónico do mesmo e também um dos pontos altos. É viciante e um dos poucos momentos do disco em que algo soa genuíno na voz de Hilary Duff. Nota-se aqui a forte influência do estilo EDM e assemelha-se aos trabalhos da sueca Robyn.





6. 'Lies'

Se esta não for a parte II da faixa 'Baby Don't Lie' de Gwen Stefani então estaremos perante uma enorme coincidência musical! Se na primeira canção a cantora de 'Cool' pede para o seu amor não mentir, aqui em 'Lies', Hilary fartou-se em definitivo de todas as mentiras, ou seja, até nas suas composições as músicas se encontram já para não falar da interpretação. Tentem não ouvir a voz de Gwen Stefani no refrão...! Mais uma música viciante, POP e uma das melhores do álbum, contudo, estamos uma vez mais perante um momento pouco genuíno e que em nada soa à sua intérprete.







7. 'Arms Around a Memory'

Ainda influenciada pelo estilo musical EDM, Hilary Duff interpreta esta explosiva 'Memory'. Poderia ser facilmente uma produção de Avicii ou Afrojack para o novo disco de Paris Hilton, mas acabou mesmo em 'Breathe In Breathe Out'. Destaque para a produção e instrumental, mas que peca por ser demasiado datada e genérica. 





8. 'Stay In Love'

'Stay' não é o momento mais comercial deste trabalho mas é sem dúvida um dos momentos mais genuínos e onde a cantora soa realmente bem. Esta poderia ser a direcção do novo material mas talvez pela pressão da editora o álbum acabou por estar um pouco contaminado por outros géneros mais radiofónicos. É impossível não ficar apaixonado pela interpretação de Hilary nesta canção. O seu alcance vocal não é o mais poderoso mas em 'Stay In Love', a cantora está no seu melhor.






9. 'Brave Heart'

Doce. É a palavra que melhor descreve esta canção. Sabe bem ouvir. É puramente POP e uma lufada de ar fresco depois de tantas criações datadas e até forçadas. Por isso mesmo e por ser diferente das demais é um dos pontos a destacar neste material.





10. 'Tattoo'

Esta canção é exactamente o que podem esperar de uma composição de Ed Sheeran. Aliás para ser perfeita só faltaria mesmo ter sido um dueto com o cantor. Dominada por guitarras e pela interpretação deliciosa de Hilary Duff, esta canção será um single obrigatoriamente. Mais uma vez esta canção prova que a primeira direcção 'folk/pop' escolhida para este material, teria sido a mais indicada.





11. 'Picture This'

Depois de uma série de boas canções vem mais uma falha. Completamente fora de contexto e mais uma vez recorrendo aos 'assobios' esta 'Picture This' não devia sequer marcar presença na versão standard do disco e a voz da cantora de 'Wake Up' chega mesmo a ser irritante de escutar. Muitas vezes parece que Hilary tem dificuldade em alcançar as notas mais altas...




12. 'Night Like This' (feat: Kendall Schmidt)

Esta é a última canção presente na versão standard do disco e é também a única colaboração do mesmo. O dueto é bem conseguido principalmente pela forma como os cantores alternam as suas vozes na hora de interpretar a canção. Não é o momento mais comercial e apelativo do material mas é sem dúvida merecedor de estar num lugar de destaque e de encerrar este material. 




13. 'Belong'

Já na versão deluxe deste disco, estamos perante uma das melhores músicas de todo o material e que lamentavelmente não faz parte da versão principal do disco. Digamos que esta 'Belong' que agora nos pertence, é um misto entre algo que Taylor Swift faria antes de '1989' e ao que Avicii produziu nos últimos anos, por exemplo, em 'Wake Me Up'. Neste género musical, Hilary Duff soa melhor que nunca e continuamos a afirmar com toda a certeza que este teria sido o caminho certo para trazer de novo a cantora à ribalta.




14. 'Rebel Hearts'

Quem disse que a única cantora com um coração rebelde era Madonna? Hilary Duff junta-se assim ao clube. 'Rebel Hearts' repete exactamente a mesma fórmula de 'Belong' e podia facilmente também ser uma das últimas produções de Avicii que foi pioneiro ao aliar dois estilos na perfeição 'pop/country' e que acabou por influenciar dezenas de outros cantores, entre eles, Hilary e algumas  das suas novas canções como esta 'Rebel Hearts'. Embora não tão eficaz quanto 'Belong' é mais um dos pontos a destacar e que merecia mais destaque neste disco.





15. 'Chasing the Sun'

Escolhida inicialmente como single de avanço, agora está apenas presente em versões especiais e raras do disco. Esta composição de Colbie Caillat, foi escolhida de forma inexplicável para single de avanço de um disco que tinha como missão fazer renascer das cinzas uma carreira...! Não que a música seja má, mas está longe de ter o potencial para 'carregar' consigo todo um novo material e pode mesmo ser a responsável pela falta de interesse pelo mesmo. 'Sun' é puramente pop e assemelha-se muito a 'Stars Are Blind' de Paris Hilton, e aos recentes trabalhos de Carly Rae Jepsen. 





16. 'All About You'

'All About You' daria então inicio ao registo musical inicialmente escolhido para o disco - o já referido 'folk/pop' - e foi mesmo escolhida para 2º single, mas o desinteresse mostrado por 'Sun' acabou por condenar 'You' à morte mesmo antes de ter nascido e tornou-se num fracasso ainda maior que o seu predecessor. Na nossa opinião esta é uma das maiores injustiças musicais do ano, pois é uma das melhores canções do disco e de toda a discografia da cantora de 'With Love'. 'All About You' tem ainda a particularidade de se assimilar muito aos trabalhos de Taylor Swift nas eras anteriores a '1989' mas não deixa de soar genuína na voz de Hilary. Um dos pontos altos do disco e que merecia mais destaque e atenção.




Inconsistente.

Esta é a palavra que melhor descreve este trabalho de Hilary Duff.

Ao ouvir 'Breathe In. Breathe Out.' ficamos com a sensação que estamos a ouvir dois álbuns num só que resumindo numa frase poderia ser o disco que Paris Hilton adoraria lançar em 2015 e ao mesmo tempo o trabalho que Taylor Swift se recusou a lançar.

E porquê falar destas duas artistas?

Não que Paris Hilton seja uma referência no mercado musical, mas o que é facto é que a voz de Hilary muitas vezes nos confunde soando quase na perfeição à famosa socialite Hilton, já para não falar nas semelhanças entre 'Chasing the Sun' e 'Stars are Blind', assim como 'Arms Around a Memory', poderia facilmente ser lançado por Paris que ninguém notaria a diferença.


Quanto a Taylor Swift, notamos a sua influência em faixas como 'All About You'. 'Rebel Hearts' e 'Belong' ou até mesmo 'Tattoo' que poderiam ter sido lançadas facilmente pela cantora de 'Love Story' antes de '1989' acontecer. 


Hilary Duff sempre foi uma cantora decidida na hora de decidir que direcção tomar aquando da criação dos seus discos. Exemplo disso mesmo é o seu 'Dignity' (2007), que abraçou o 'electropop' e afastou-se da sonoridade dos seus trabalhos anteriores.

Agora em 2015 e com o 'folk/pop' ou 'country/pop' a imporem-se a cantora decidiu abraçar este género e a verdade é que na parte do disco em que Hilary aposta nesta direcção soa mais genuína que nunca e apresenta-nos canções dignas de recolocar a cantora no mapa.

O problema deste material é a sua enorme inconsistência uma vez que a cantora regressou a estúdio para criar faixas mais comerciais e de facto consegui-o, 'My Kind', 'One In a Million', 'Lies' ou até 'Sparks' são tudo exemplos de boas canções que não nos saem da cabeça mas que poderiam ter sido lançadas por qualquer outra artista POP, numa qualquer outra altura, fazendo com que este disco soe até algo forçado e nada genuíno.


Diríamos que estamos perante um trabalho pouco original, pouco ambicioso, nada revolucionário e que está longe de ser um marco na carreira da cantora ou até para o mercado fonográfico. 

Compreendemos que seja cada vez mais difícil para um artista impor-se no mercado com um 'estilo novo' e que seja mais fácil ceder às tendências actuais de mercado...mas sempre se disse, quem não arrisca...! 

'Breathe In. Breathe Out.' peca por isso mesmo, por ter arriscado muito pouco...por nos deixar a todos com vontade de ouvir mais Hilary e menos músicas que qualquer um outro artista poderia lançar. Sentimos mesmo durante diversos momentos que estamos perante uma compilação que reune os melhores trabalhos de diversas cantoras POP  em vez de um álbum de inéditas de um único artista.

Mesmo não sendo a cantora mais bem sucedida ou a vocalista mais poderosa da nossa geração, pensamos que Hilary Duff teria credibilidade suficiente no mercado para continuar a ser 'original' e manter-se fiel à sua intuição mas 'Breathe In. Breathe Out.' não é mais do que um misto de 'vontades' e 'ingredientes' que resulta numa refeição muito difícil de digerir.



HOS Rating: 40/100

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